Correio da Beira Serra

PSD de Tábua acusa Paulo Portugal de mentir sobre negociações para formar Executivo da Junta de Midões

O PSD de Tábua acusa o presidente da Junta de Freguesia de Midões, Paulo Portugal, de faltar à verdade sobre as negociações para constituir o Executivo da autarquia e responsabiliza o PS pelo impasse político que levou à renúncia dos eleitos socialistas. Num comunicado divulgado este sábado, 7 de Novembro, os sociais-democratas contestam a versão apresentada pelo autarca e defendem a realização de eleições intercalares com a maior brevidade possível.

A contestação do PSD surge na sequência saída dos eleitos socialistas, que justificaram a decisão com a impossibilidade de ultrapassar o impasse na constituição do Executivo, mais de um ano depois das eleições autárquicas de 12 de Outubro de 2025. Nesse escrutínio, recorde-se, o PS foi a força mais votada, com quatro dos nove mandatos na Assembleia de Freguesia, enquanto a coligação PSD/CDS-PP/IL elegeu três elementos e o Chega dois.

O PSD de Tábua considera que a demissão foi tardia e acusa os socialistas de terem alimentado “jogos de bastidores” durante mais de um ano. Garante, por outro lado, que os eleitos pela coligação PSD/CDS/IL mantiveram o diálogo com as restantes forças políticas desde o início, procurando uma solução para a constituição do Executivo.

Um dos principais pontos de divergência diz respeito à alegada disponibilidade do PS para integrar elementos da coligação na Junta. Paulo Portugal afirmou, no comunicado em que anunciou a renúncia dos mandatos socialistas, que a coligação tinha aceitado a cedência de um lugar no Executivo, mas condicionado o entendimento à atribuição da presidência da Mesa da Assembleia de Freguesia a um elemento do Chega. O PSD, porém, contradiz esta versão e afirma que o presidente da Junta “mente ao dizer que propôs o nosso candidato para fazer parte do executivo”. Segundo os sociais-democratas, nas quatro assembleias de freguesia realizadas nunca foi apresentado qualquer nome da coligação para votação, apesar de considerarem que Paulo Portugal era o único elemento com capacidade legal para o fazer.

No mesmo comunicado, o partido levanta várias questões sobre a actuação do autarca socialista durante o período de impasse. Quer saber se Paulo Portugal exerceu as suas funções em pleno e quais os honorários que recebeu, lembrando também que, na reunião da Assembleia de Freguesia de 30 de Abril de 2026, terá afirmado que não se demitiria.

Os sociais-democratas questionam ainda por que razão a renúncia, que dizem ter sido apresentada há mais de uma semana, só foi comunicada à população a 6 de Novembro, através de um comunicado, sem que o presidente da Junta tenha prestado esclarecimentos presencialmente aos eleitores.

O PSD considera ainda  que a demissão dos eleitos socialistas demonstra “uma incapacidade de gestão” e defende que a situação exige uma solução rápida. Sobre os procedimentos seguintes, manifesta a expectativa de que a eventual comissão administrativa não integre os mesmos elementos que renunciaram aos mandatos e reclama a realização de eleições intercalares “no espaço mais rápido possível”, considerando-as necessárias para salvaguardar os interesses da freguesia e da população de Midões. Garante ainda estar disponível para encontrar uma solução para a governação da autarquia.

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