Todas as pessoas têm hobbies, formas de passar o tempo, atividades às quais se dedicam no seu tempo de ócio. Algumas pessoas acabam por ser reconhecidas e destacam-se no seu meio, fruto da dedicação a essa atividade.
O meu hobbie é a fotografia. E por muito que algumas pessoas desejem que seja mais que isso, é um hobbie. Porque se assim não fosse eu ver-me-ia obrigado a fazer coisas dentro da fotografia que não gosto de fazer e com isso não retiraria o prazer que retiro quando faço fotografia. Sei disso porque já o fiz. Já fiz alguns trabalhos que me foram pagos e não gostei. Agora continuo a trabalhar, mas permito-me escolher fazer os trabalhos que me agradam mais. Suponho que sou um grande privilegiado porque posso escolher o caminho que desejo ou não trilhar dentro da fotografia, gozo dessa liberdade. É inegável que a fotografia me trouxe algum reconhecimento. Mas trouxe-me muito mais prazer ao longo destes anos.
O meu caminho trouxe-me a um convite que me foi endereçado pelo Manuel Mendes. Escrever sobre fotografia num Jornal regional de dimensão considerável e com um elevado número de leitores.
Escrever por escrever? Não, isso não. Se tivermos de fazer alguma coisa, que seja com um propósito.
Eu sempre defendi que a fotografia devia ser ensinada nas escolas, como opção. Porque aprender fotografia desperta no aluno duas coisas muito importantes. Um sentido crítico, e este sentido faz muita falta à massa humana nos dias que correm. O Outro é, por consequência, um sentido estético. Muitas vezes, no exterior, no mundo que percorremos no dia-a-dia vemos coisas que nos desagradam. Pode não parecer, mas com sentido estético poderiamos viver num mundo muito mais agradável à vista e, acreditem ou não, viveriamos um pouco mais felizes. Este parece-me um bom motivo para manter uma crónica semanal sobre fotografia.
Por outro lado, assiste-se nos nossos dias a um crescendo de pessoas interessadas em fotografia, e com elas vêm algumas abordagens, alguns mitos errados. A fotografia é muitas vezes mal compreendida por fatores diversos e que espero ter tempo e oportunidade para falar neles todos ao longo do tempo e do espaço que o Jornal Correio da Beira Serra me concedeu.
Com o tempo também espero mostrar aos leitores porque é que algumas fotografias estão em Galerias de arte e outras nunca lá chegarão. E com isto levar o leitor a um maior entendimento acerca do que é o fenómeno da fotografia.
O que é que o leitor não pode esperar? Simples: as recorrentes dicas acerca do photoshop. As notícias sobre equipamentos lançados no mercado, os testes a coisas que são adquiridas e depois não se sabe muito bem qual é a mais-valia para o nosso percurso. Fotografia é muito mais que isso.
Quando escrevemos acerca de nós, a pergunta recorrente é quando é que tudo começou? Começar por aqui seria roubar o protagonismo à fotografia e não tenho esse direito. Depois é frequente falar-se das influências, este ou aquele fotógrafos que foram os Mestres e os outros que apreciamos acima de tudo, as nossas influências. Também não me quero alongar por aí. Conheço alguns grandes fotógrafos que se inspiram em escritores e não em outros fotógrafos.
Dizer que é bom estar num grupo de amigos e fotografar seria bom para a minha imagem de ser social e sociável, mas estaria a ser desonesto com o Mundo e acima de tudo comigo mesmo. Gosto de fotografar sozinho, sem alaridos… Gosto de ser discreto quando fotografo… misturar-me com o meio, procurar não destoar e conseguir assim as fotografias que me interessa fazer.
A questão do equipamento que cada um usa depois também acabaria por vir a lume quando alguém está a apresentar-se enquanto fotógrafo (rejeito esse rótulo para mim). Trabalho com equipamento usado porque a minha disponibilidade financeira assim o permite. Porém isso nunca me impediu de fotografar e muito menos de o fazer com alguma qualidade. O equipamento que tenho chega e sobra para eu fazer tudo aquilo que quero. Aquela máxima Quanto melhor é a câmera melhor será o fotógrafo é mais um mito que uma verdade. Também teremos oportunidade de falar acerca disso.
Então… quem sou eu? E o que é a fotografia na minha vida? Como é que eu me apresentaria a um universo de leitores?
Sou o Rui… Sou Vigilante de Segurança Privada, essa é a minha profissão. Sou Beirão e bairrista, profundamente bairrista. Não me considero fotógrafo. Não sou fotógrafo porque não tenho nada para oferecer. A fotografia na minha vida é a minha válvula. É para mim um desafio intelectual que me obriga a exercitar os meus neurónios, os sentidos e a basear-me no instinto para fotografar. Quando fotografo reencontro-me, mergulho em mim e faço a depuração da minha alma por via desta válvula. Digo muitas vezes que devo a minha sanidade mental à fotografia e acredito piamente nisso. Apresento-me assim a um universo de leitores. Esta crónica, espero que seja muito mais um propósito do que uma pessoa. A pessoa é o veículo. O Propósito poderá ser uma marca que fica. Algo que passe das palavras e os senhores leitores possam usar como útil e não apenas na fotografia.
Apresento-me assim humilde e respeitosamente a todos vocês, Leitores.
O meu trabalho está aqui:
https://www.facebook.com/ruicamposphoto
Até Já.
Rui Campos.