O presidente da Cooperativa de Produtores de Queijo da Serra da Estrela (Estrelacoop) disse hoje que vai ter de haver uma valorização do preço do leite das ovelhas bordaleiras e churra mondegueira, as duas raças responsáveis pelo leite que dá origem ao queijo Serra da Estrela. Joaquim Lé de Matos considera que a valorização do leite e do queijo de Denominação de Origem Protegida da Serra da Estrela é uma das consequências do incêndio que assolou gravemente aquela região. O queijo Serra da Estrela também deverá sofrer um aumento para salvaguardar os produtores.
De acordo com o dirigente, o objetivo da cooperativa é negociar com as grandes superfícies, que atualmente absorvem entre 75 a 78 por cento da produção, a um preço que varia entre os 17 e os 17,5 euros. “Pelo menos, queríamos chegar aos 18 euros por quilo”, sublinhou.
Devido aos incêndios e à seca extrema, o presidente da Estrelacoop estima que o rejuvenescimento da flora e as condições para a sementeira de cereais para dar de suplemento às ovelhas vai demorar, no mínimo, dois anos. “A biodiversidade está colocada em causa e tem de se fazer qualquer coisa a nível governamental, pois não é só aplicar medidas excecionais e apoios financeiros aos pastores”, defendeu Joaquim Lé de Matos.
A Estrelacoop, sediada em Celorico da Beira, tem cerca de oito dezenas de produtores de leite e de queijo associados, dos quais 29 são produtores certificados do queijo Serra da Estrela. A cooperativa é também responsável pela DOP Queijo Serra da Estrela Velho, Requeijão Serra da Estrela e Borrego Serra da Estrela.
O Parque Natural da Serra da Estrela é a maior área protegida portuguesa e o incêndio, que lavrou durante 11 dias e se encontra em resolução desde a noite de quarta-feira, terá destruído mais de 25 mil hectares (sensivelmente um quarto da área total) em seis concelhos, de acordo com dados preliminares avançados pelas autoridades.
