Correio da Beira Serra

Rafael Barbas, o jovem natural da Guarda que pretende conciliar o ciclismo profissional com o curso de medicina

Rafael Barbas acabou de fazer 19 anos e é o elemento mais jovem da equipa de ciclismo profissional da UCI Continental Tavfer-Ovos Matinados- Mortágua. A competição não o afastou dos estudos e uma das grandes linhas de meta deste jovem é a licenciatura em medicina. “Júnior” da UCI Continental Tavfer-Ovos Matinados- Mortágua, Rafael Barbas, com apenas 19 anos (feitos hoje), é o atleta mais jovem da equipa, e também aquele que sonha mais alto. Natural da Guarda, Rafael consegue estar em competição sem descurar os estudos em Medicina. Associado ao seu percurso no ciclismo Rafael estão os estudos para entrar em medicina. “Sem dúvida que tenho consciência que, não se fossem os estudos, eu poderia estar com desempenhos muito melhores, mas na realidade não me preocupo, porque sei que estou a dar o meu melhor e a fazer a coisa certa”, conta.

CBS – Como começou a sua história no ciclismo?
Rafael Barbas – “Por volta dos 13 anos, quando comecei a dar umas voltas de bicicleta com os meus colegas, apenas por diversão. Aos 14 anos, como cadete, entrei para um clube aqui perto da minha zona, CCDR Colmeal da Torre, e foi aqui que fiz as minhas primeiras provas, apenas em BTT, posso dizer que foi aqui que o gosto pelo ciclismo em si e pela competição começou a crescer. Dois anos depois, dei o salto para o ciclismo de estrada, e em Júnior, com 16 anos, ingressei na ACR Roriz, uma equipa do Norte, da qual tinha muito boas referências: por colegas que passaram por lá; pelo vice-presidente João Matias, que agora é meu colega em equipa; e também por saber as ligações que tinham a Belmonte, onde sempre estudei.”

Qual é o seu maior sonho desde de criança?
“Sinceramente, acho que nunca tive um grande sonho, ou melhor, acho que os meus sonhos foram mudando ao longo dos anos. Lembro-me que, quando era mais pequeno, gostava muito de jogar a bola, e sonhava em ser um grande jogador um dia. Quando comecei a andar bicicleta, essa parte de mim mudou completamente, e passei a definir metas um pouco mais a curto prazo. Por isso, penso que nunca tive um grande sonho, mas vários pequenos objectivos. Não sou uma pessoa muito ambiciosa, mas claro que se me dissessem que um dia ia ganhar uma Volta à França, ou que ia ser um dos melhores profissionais na área que escolher para o meu futuro, assinava logo por baixo.”

Como define o seu percurso até este ano?
“Acho que é um pouco como o percurso de muita gente, cheio de altos e baixos, muitas alegrias, muitas tristezas…mas no geral não me posso queixar porque nunca me faltou nada. Estes últimos anos em particular foram extremamente complicados para mim, com alguns problemas familiares, com os estudos, e depois com o stress que estas situações trazem. Sem dúvida que o ciclismo também teve um papel muito importante, porque de certa forma era o meu escape diário dos problemas que tinha. No ciclismo fiz muitos amigos, sendo que alguns deles ajudaram-me muito estes anos, e esta é sem dúvida uma das partes bonitas deste desporto.”

De onde surgiu a vontade de estudar medicina?

“Sempre gostei de ajudar as pessoas, sentir-me útil, e depois tenho o meu irmão que está a acabar o curso. Sinceramente também pensei que, já que tinha boas notas, por que não seguir os estudos e tentar entrar em Medicina. É um curso que me pode dar uma boa qualidade de vida no futuro, e já que eu gosto, é juntar o útil ao agradável.”

Como apareceu a possibilidade de se transferir para a equipa profissional Tavfer – Ovos Matinados- Mortágua?
“Foi muito bom passar de júnior a profissional, e estar rodeado de pessoas certas foi importante para mim. No final do ano passado não sabia se queria continuar no ciclismo, não sabia se valia a pena riscar um futuro fora do ciclismo para tentar ter uma carreira como profissional, porque não é bem como muitas pessoas dizem (que sempre dá para considerar as duas coisas). Aliás, eu também pensava assim, mas já vi que não dá para estar a 100 por cento nas duas coisas. Felizmente nesse aspecto a equipa foi espectacular. Nunca me exigiram nada, sempre me apoiaram imenso nos estudos, nunca me colocaram pressão, e sinceramente não sei se há muitas equipas em Portugal que fizessem o que eles fizeram por mim e continuam a fazer, por isso sei que estou em boas mãos.

Neste momento esta a estudar para entrar em Medicina, como concilias as duas vertentes da tua vida?
As duas vertentes… é muito complicado. No início do ano era um pouco mais fácil, conseguia treinar normalmente, e penso que dentro do ciclismo estava com bons números, mas principalmente com boas sensações para a minha idade. Com o avançar dos meses tornou-se extremamente desgastante, e não vou mentir, comecei a deixar o ciclismo um pouco de parte e comecei a concentrar-me um pouco mais nos estudos, porque também me apercebi como estava o ciclismo em Portugal, e como era complicado era passar do júnior a profissional. Dentro da equipa, sempre souberam como eu estava, e sempre me foram dados planos de treino e condições para continuar a estudar, sem tentar perder muito a forma física com o aproximar dos exames. Sem dúvida que tenho consciência que, não se fossem os estudos, eu poderia estar com desempenhos muito melhores, mas na realidade não me preocupo, porque sei que estou a dar o meu melhor e a fazer a coisa certa.

Quais são os teus planos futuros, tanto no ciclismo como fora?
“Por agora, penso entrar em uma boa universidade, prosseguir com os estudos, e quanto ao ciclismo é uma incógnita. Gostava de poder continuar a fazer o que eu gosto, continuar a evoluir, também já só tenho 19 anos, e vamos ver. Tenho a certeza que, juntamente com a minha família e com a equipa, iremos tomar as melhores decisões para o meu futuro.

Como se sente na Tavfer- Ovos Matinados- Mortágua?
São profissionais incríveis, mas como pessoas são ainda melhores, não tenho nada a apontar. Na teoria, apenas deviam dar-nos as condições para evoluirmos e crescermos no ciclismo, sempre com retorno, mas na prática fazem muito mais que isso, são como uma autêntica família e, no meu caso, preocupam-se igualmente com os meus estudos, assim que não posso pedir muito mais. Ainda me estou a adaptar, porque para mim também foi um pouco complicado passar de lidar com as atletas da minha idade para atletas numa equipa profissional, onde todos têm mais idade do que eu, mais experiência, mais à vontade, mas no geral não podia pedir melhores companheiros, porque sempre me deixaram extremamente tranquilo, extremamente à vontade com tudo e nunca me faltou nada. Tanto os atletas como o staff sempre me ajudaram no que podiam e integraram-me na equipa da melhor maneira possível.

Entrevista realizada pelo departamento de comunicação da TAVFER-Ovos Matinados- Mortágua
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