Correio da Beira Serra

Rafael Dias voltou a acusar executivo PS da CM de Oliveira do Hospital de fazer nomeações partidárias para a Fundação Albino Mendes da Silva

Francisco Rolo diz que quem nomeou pela primeira vez Manuel Garcia para a presidência daquela instituição foi ex-presidente social democrata da autarquia Mário Alves, mas não explicou que o ex-vereador socialista era, na altura, presidente da junta de São Gião.

O presidente da Junta de Freguesia de São Gião voltou a acusar, na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, o executivo da Câmara Municipal de optar por beneficiar um elemento ligado ao PS em detrimento do “acordo de cavalheiros” que há várias décadas para nomear o líder da Fundação Albino Mendes da Silva. Rafael Dias referiu que a sua autarquia tinha uma estratégia para aquele espaço que não é possível de concretizar devido à vontade do PS manter um dos seus, no caso o ex-vereador socialista Manuel Garcia, em instituições importantes daquela freguesia.

“Foi com mágoa que sentimos a falta de institucionalismo do executivo que não anunciou sequer, seja de forma oficiosa ou oficial, a nomeação que escolheu. Depois, na reunião de Câmara, falta à verdade quando diz que o executivo da junta não apresentou um nome ou que o apresentou tardiamente. O senhor presidente sabe que isso não é verdade. Não vou revelar conversas privadas, porque o que nos move é o interesse de São Gião e não o interesse partidário”, acusou Rafael Dias, salientando que a junta de freguesia estava disposta a abdicar do lugar que lhe cabe segundo os estatutos da Fundação para permitir uma nomeação completamente profissionalizada. “Não confundo a minha militância no CDS com o mandato que me foi entregue para defesa de São Gião”, atirou.

Frisando que o arrastar do processo coloca em causa a preparação da época balnear, Rafael Dias lembrou que a praia fluvial de São Gião é fundamental para que o desenvolvimento turístico da freguesia. “Mas este executivo quebrou uma tradição democrática, mantida também nos mandatos do presidente José Carlos Alexandrino, segundo a qual quem vencesse a Junta, não sendo automaticamente nomeado, teria uma palavra forte na nomeação do presidente da Fundação. Mas mais que isso, o executivo da Câmara cauciona a ausência de estratégia que foi levada a cabo nos últimos 20 anos. O senhor Manuel Garcia perdeu as eleições e perdeu bem”, disse, sublinhando que o PS devia tirar ilações “da mensagem da população”. “Por alguma razão, a população de São Gião não escolheu o Partido Socialista para qualquer dos órgãos autárquicos”, acusou.

Francisco Rolo negou que alguma vez tenha faltado à verdade e garantiu que não existe naquela nomeação qualquer partidarismo. “Manuel Garcia não é militante do PS. Nunca foi”, atirou, omitindo que Manuel Garcia foi vereador pelos socialistas em dois mandatos. O presidente da autarquia reconheceu, porém, que o presidente da Junta de Freguesia de São Gião lhe propôs um nome de fora do concelho. “E avaliei o nome. O senhor fez o seu papel. Mas cabe ao presidente da CM, segundo os estatutos da Fundação, levar a reunião de executivo municipal o nome e optámos por reconduzir Manuel Garcia”, disse, salientando que aquele elemento lhe apresentou um plano estratégico para os próximos quatro anos. “Foram também entregues as contas que têm sempre resultados positivos. Se critica a gestão, aqui está tudo dito”, disse.

Francisco Rolo fez questão de dizer ainda que quem nomeou pela primeira vez Manuel Garcia Fundação Albino Mendes da Silva foi o ex-presidente eleito pelo PSD Mário Alves, em 2005. O autarca esqueceu-se, porém, de referir que nesse ano Manuel Garcia tinha ganho a Junta de Freguesia e como tal manteve-se o acordo. Rafael Dias ainda pediu a palavra, mas José Carlos Alexandrino não lhe permitiu nova intervenção.

Ao que o CBS apurou o princípio defendido por Rafael Dias existe e foi instituída com dois objectivos: colocar alguém que estivesse próximo e com interesse em desenvolver as infra-estruturas da Fundação e, por outro lado, evitar eventuais conflitos com a junta de freguesia. “Esse sempre foi o princípio e Mário Alves limitou-se a cumprir com aquilo que estava instituído, embora tivesse existido ali um período em que permaneceu na liderança o professor Nobre, porque se chegou a acordo que era o melhor devido a uns processos de legalizações que se encontravam em curso. Em 2009, Manuel Garcia voltou a ganhar pelo PSD e manteve o cargo. Mas passou a integrar as listas do PS em 2013”, explica um elemento próximo do executivo de Mário Alves, frisando que o trabalho desenvolvido pelo actual responsável da Fundação tem sido “um desastre que é em termos de gestão”. “E depois de perder as eleições é reconduzido no cargo, fazendo letra morta de um acordo de cavalheiros com décadas? É inacreditável. Obviamente, houve aqui um interesse do PS em proteger um dos seus que foi rejeitado pela população”, concluiu este elemento.

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