– Os candidatos do faz de conta que são alternativos –
Diz o candidato primeiro, mas de facto secundário do sistema:
– Já disse e repito! Eu estou preparado! Eu estou preparado! Afinal estudei por conta do erário municipal.
Comenta o candidato – coligado para crescer – a fingir que é adversário a sério:
– Tás preparado pra quê? Hum.
Responde o candidato primeiro, mas de facto secundário do sistema, a tender para o irritado:
– Ó pá. Olha que não me respondas assim que eu fui teu patrono cá na Câmara. Eu é que te dizia a ti, seu convencido, eu é que te dizia a ti quando e onde e como podias fazer chi-chi.
Resposta quase berrada do candidato – coligado para crescer:
– Mentira! Eu é que dizia ao «chefe» pra ele te dar alguma utilidade prática que ficas caro ao município a andar de carro com chofer.
Responde o outro que faz de conta que é adversário alternativo:
– Ó desgraçado! Por muitas gravatas que uses não sobes de categoria. E a tua categoria é muito baixa. És um troca tintas…um salta-pocinhas…de partido para partido uma e outra vezes. E agora andas a mirar-te na água da política local a ver se ficas maior como fez a rã da história para crianças e outros ingénuos.
Logo responde o «coligado para crescer»:
– Não me digas. Mas não me falavas assim quando precisaste da minha inteligência superior para encaixar tanto projeto prá Câmara. Aliás, até o «chefe» não se dispensava de tirar partido das minhas formidáveis habilidades!
Berra o outro interlocutor:
– Mentira! E quando invocares o «chefe» põe-te de joelhos primeiro. E não me obrigues a falar das tuas «habilidades» … Nem sabes o que nos deves, ingrato!
Candidato – coligado a fazer de conta que é adversário alternativo:
– Não me digas mais essa. Pois caso ele me tivesse ouvido, teria evitado aqueles disparates que sempre disse a despropósito do IC 6. Teria evitado fiar-se na conversa eleiçoeira do PS e não se voltaria a candidatar como prometeu. Fez fraca figura…
Candidato primeiro mas de facto secundário do sistema:
– Hum. Já te insinuei como sendo uma espécie de ´Judas` oliveirense e continuas a pedi-las… Já devias saber que quem se mete com o PS, e comigo, leva!
Candidato – coligado para crescer:
– Olha que essa não ta perdoo. Alvoraste-te em Jesus quando és do lado dos anti-Cristo. Bem te sei, daquele lado dos «irmãos», daquela malta esquisita das «lojas dos aventais»… topas ?
Candidato de facto secundário:
– Pois eu digo-te que não sou daí. – E continua num à parte: – devemos sempre negar em público pelo menos…
Candidato – coligado:
– Não és, não és. Não és de confiança nessas tretas. Aliás como noutras. E andei eu a ensinar-te a pesquisar projetos e ideias para a Câmara para me morderes na mão!
Candidato de facto secundário colérico:
– Alto aí! Tás a chamar-me de cachorro? Atenção que eu posso irritar-me e sabes como fico! …
Candidato – coligado para crescer, com sarcasmo:
– Ui! Já tou a tremer de medo. Tu és mau, mas é como autarca apesar do que presumes em contrário. Andas nisto há anos e quais são os teus grandes contributos para a causa municipal? Aliás, o «chefe» sempre afirma…«eu…eu…eu…» e só muito depois é que entra a «minha equipa de vereadores» de onde também destaca quase sempre uma vereadora e não um vereador, não haja confusões.
Ataca o candidato de facto secundário:
– Ó «Judas» que para te disfarçares melhor até tens «santos» na toponímia de batismo. És ruim mesmo. Ingrato e dissimulado. Deves agradecer ao PS, e a mim próprio, o teu prolongado estágio político, connosco na Câmara. Aliás, tiveste que sair do PPD e alinhares com o PS para poderes ser vereador há 20 anos atrás, já te esqueceste? E do PS te serviste na Câmara 12 anos seguidos, para poderes agora vir arengar que afinal tu é que foste o presidente efetivo desta Câmara, o «pivot» escondido das principais decisões e opções. Nota que até foste buscar, para a tua candidatura de agora, o grande motivo da propaganda do PS há 12 anos atrás, nas Autárquicas de 2009, aquilo do «criar emprego» … Troca tintas oportunista é o que tu és!
Candidato – coligado para crescer – faz por retorquir:
– Por acaso ou não, eu trabalhei bem mais do que tu que foste vereador. Sim, eu é que fui o assessor-chefe do «chefe» mas agora emancipei-me e posso bem contigo que o «chefe» tá noutra onda. Agora quer é água e saneamento, na nova empresa que ajudou a criar…
Candidato primeiro mas de facto secundário:
– Ó pá! Deixa-te de insinuações. Não entres por aí. E não digas que desta água não beberás que lá, nessa empresa da água e do saneamento, também estão figuraças do teu partido, do PSD.
Interrompe-os o «coro dos ´boys´», em uníssono, forte:
– Deixem-se disso, deixem-se disso! Não se zanguem como comadres que depois sabem-se as verdades. Mantenham-se calmos, mantenham-se calmos. Os Vossos tachos servem-nos na mesma, são canja, pintados de rosa ou de laranja. Afinal, são tachos do sistema, e bem pagos! Tenham calma, tenham juízo, não nos lixem os tachos! Vamos mas é beber uns copos nessas festanças todas que isso é que dá votos!
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Cai o pano do Palco. Ouve-se assobios e apupos da assistência mais atenta.
Faz-se notar outra vez o «coro dos ´boys´» a berrar muito para a assistência :
– Calem-se! Calem-se! Nós, os «boys», nós não vamos permitir que apupem estes nossos candidatos a «padrinhos»! Calem-se já! – e avançam ameaçadores para o meio da plateia…, mas esta apupa-os também. Gera-se alguma agitação…e vamos parar com esta descrição.
Junho de 2021
Autor: Carlos Martelo
