A localidade de Oliveira do Conde, concelho de Carregal do Sal, vive nestes duas uma azáfama invulgar devido à rodagem do último filme do realizador Luís Filipe Rocha. A autarquia viu-se mesmo obrigada a condicionar ou mesmo interditar a circulação automóvel na Rua da Igreja e Largo de São Pedro.
“A história que o romance conta é fascinante”, explica o realizador, justificando que a narrativa acompanha três fases da vida de uma personagem – Duarte, um “menino-prodígio” -, da infância à idade adulta, e aborda “um tema mais profundo sobre o destino artístico de alguém”.
O filme regista vários momentos da história recente de Portugal, incluindo o período da guerra colonial e da revolução de Abril de 1974, um período já habitual nos filmes de Luís Filipe Rocha que nasceu a 16 de Novembro de 1947, em Lisboa e iniciou a sua carreira como documentarista, assinando curtas e médias-metragens como Nós, No País (1975) e Barranhos – Quem Teve Medo do Poder Popular? (1976), claramente influenciadas por uma visão política de esquerda.
A sua primeira longa-metragem de ficção pretendeu retractar o Portugal do Estado Novo, fazendo a sua transição para o Portugal democrático: A Fuga (1977), protagonizado por José Viana e Henrique Viana, procurou relatar um episódio verídico de um grupo de prisioneiros políticos que encetou a fuga do Forte de Peniche. Seguiram-se, entre outros, a adaptação cinematográfica da obra Cerromaior (1981) de Manuel da Fonseca.
