Ex-presidente do PSD discursou em Midões, concelho de Tábua, no almoço dos 50 anos do grupo Tavfer, do empresário Fernando Tavares Pereira
O ex-deputado e ex-presidente do PSD Rui Rio afirmou este sábado, em Midões, concelho de Tábua, que as grandes falhas da democracia portuguesa nos 50 anos após o 25 de Abril são a justiça e o esquecimento a que foi votado o interior do país. Perante centenas de convidados reunidos no almoço comemorativo dos 50 anos de actividade do grupo Tavfer, do empresário Fernando Tavares Pereira, Rui Rio deixou um diagnóstico severo sobre os bloqueios estruturais que, no seu entender, continuam a travar o desenvolvimento nacional, apesar dos avanços conquistados nas últimas cinco décadas.
O antigo líder social-democrata frisou que “os portugueses trabalharam, construíram uma sociedade melhor e conquistaram mais facilidades do que aquelas que existiam há 50 anos”, mas avisou que as desigualdades territoriais e a morosidade judicial permanecem como “injustiças graves”. Referiu, a título de exemplo, a burocracia como um dos obstáculos que não diminuiu em meio século e apontou os tribunais como um factor que penaliza quem investe. “O sistema judicial parece existir para dificultar a vida aos empresários e não para colocar a economia a crescer”, afirmou, lembrando que Fernando Tavares Pereira tem uma acção que deu entrada nos tribunais há mais de 30 anos e que ainda se encontra agora no Central Tribunal Administrativo. “Não pode acontecer. Muitos dos que se encontram neste local nem sequer eram nascidos quando se iniciou esta acção”, atirou.
Rui Rio alertou ainda que o próximo Presidente da República terá de assumir uma atenção especial ao interior e à justiça, considerando-os dois dos grandes dossiês que continuam em aberto após meio século de democracia. Entre os presentes encontrava-se António José Seguro, candidato presidencial nascido em Penamacor, distrito de Castelo Branco, a quem Rui Rio, mandatário da candidatura presidencial do Almirante Gouveia e Melo, destacou por conhecer bem o território onde cresceu.
Sem deixar de contextualizar as dificuldades actuais, com jovens a queixarem-se do preço da habitação e de baixos salários, Rui Rio lembrou que há 50 anos as condições eram ainda mais duras. “O que este homem [Fernando Tavares Pereira] teve de fazer exigiu-lhe muito mais esforço do que aquilo que lhe seria exigido hoje. E o pai dele ainda teve de fazer mais esforços”, disse, defendendo que os empresários devem ser valorizados pelo papel decisivo no crescimento económico.
“São tantas vezes acusados de serem gananciosos e de só pensarem em dinheiro, haverá alguns assim, mas não aqueles como Fernando Tavares Pereira. Estes são o primeiro motor da economia. São os que arriscam, investem e trabalham. Não é o Estado, não somos nós individualmente. Sem eles, a economia não anda”, sublinhou.
Sobre fundador e líder do Grupo Tavfer, Fernando Tavares Pereira, Rui Rio elogiou a “obra construída com muito esforço e sacrifício” e o legado que deixa à família, à sociedade e a si próprio. “Há uma diferença entre ter um percurso profissional e termos orgulho naquilo que produzimos e que os outros reconhecem. O senhor Fernando Tavares Pereira lutou toda a vida, perdeu algumas batalhas, mas ganhou a guerra que foi aquilo que construiu e que todos reconhecem”, declarou, acrescentando que o percurso de sucesso do empresário “saiu-lhe do corpo” e que ainda hoje apesenta mazelas desses sacrifícios.
