Correio da Beira Serra

Rumo ao futuro. Autor: Fernando Roldão

Antes de extravasar o que me vai na alma, peço desculpa aos “pais” deste título, por estar a usá-lo sem o seu conhecimento, mas estou convencido de que não se irão zangar comigo por esse facto.

Nesta fase da história da Europa em geral e de Portugal em particular, a pergunta que o normal cidadão faz a si próprio é esta: qual o futuro que iremos ter com o rumo que as coisas estão a tomar?

Provavelmente poucos ou quase nenhuns saberão dar a resposta, mas pelo andar da carruagem, a viagem irá ser bastante atribulada para os “passageiros” que irão entrar nela nas próximas estações.

Vivemos tempos sombrios, de um obscurantismo bem alimentado, mas bem visível.

É doentio aquilo que se passa com o ser humano no seu quotidiano, onde parece que a única lei que regula o seu funcionamento, é a de cada um por si e salve-se quem puder,

Sempre escutei a frase,” parece que estamos no Texas” e se olharmos à nossa volta, realmente os sons dos disparos, o cheiro a pólvora queimada e o fumo meio azulado que brota das bocas das pessoas, é verdadeiramente assustador.

Grande parte delas parecem um revolver, pois disparam primeiro e lamentam de seguida.

Estamos a perder, a uma velocidade impressionante, a nossa capacidade de pensar pelas nossas cabeças, limitando-nos a fazê-lo pelas cabeças daqueles, que no alto da sua impune arrogância, não olham a meios para atingir os seus objectivos.

Cansei-me de escutar cata-ventos, que seguem uma retórica altamente drogada e doentia, tentando afastar do seu caminho, todos aqueles que pensam diferente, não interiorizando que estão a danificar a sua própria existência, sem darem por isso.

Amanhã serão pais, avós! Que respostas darão a esses seres sobre a sua actuação irresponsável no ciclo de vida para a qual os arrastou?

Será que ainda não chega de ouvir mentiras, abusos de poder, aceitar incompetências, compadrios e faltas de carácter com que nos brindam todos os dias?

Os portugueses estão transformados em “Zombies”, incapazes de reagir, acomodados aos seus medos, tolerantes com os novos senhores feudais. Basta olhar para os “crimes” cometidos pela justiça.

Na idade média, as tropas comandadas por “nobres elitistas”, entravam pelas aldeias com o objectivo de “cobrar impostos”, levando tudo o que lhes interessava, apoiados por espadas e algozes.

Hoje usam outros meios bem mais sofisticados e enganadores, pois o Zé, pensando que está a cumprir o seu dever, está a seguir uma politica de sustentabilidade de existência de uns quantos, que não são mais do que uns inúteis fidalgos.

Portugal tem suportado ataques à sua sobrevivência vindos de todos os lados, mas sempre com um denominador comum; a ganância e o poder dos iluminados que nos retiram a dignidade de viver.

Sim, a dignidade de viver com o mínimo que cada ser humano tem direito.

O mais caricato, é que somos nós que damos azo a que isso aconteça, permitindo e apoiando, através dos partidos, o assalto à nossa existência, retirando-nos os direitos que nos pertencem.

Mentem descaradamente, com promessas que sabem de antemão que não irão cumprir, mas como alguém disse uma vez “ o povo é sereno”. Demasiado, podem crer, mas continuo a perguntar, a si que me está lendo, até quando irá suportar a canga?

Portugal tem cerca de 1 milhão, sim leu bem, 1 milhão de reformados que recebem uma esmola ´, disfarçada de reforma, com valores abaixo dos 280 €.

O que se pode fazer com esse valor? Não preciso de dar a resposta, pois todos sentem no bolso o vácuo provocado pela miséria com que os políticos nos têm brindado há cerca de 50 anos a esta parte.

Têm o descaramento e a falta de vergonha de nos dizer que não há dinheiro para dar um final de vida condigno, mas em contrapartida, gastam, esbanjam e brincam com o nosso dinheiro.

Onze mil euros para cabeleireiros, vinte mil para ver futebol e que mais?

O desamparado povo precisa de mais de 40 anos para receber uma reforma (esmola) que mal dá para comer, os condes, marqueses e os duques da nova “monarquia”, usufruem, ao fim de 2 legislaturas, uma reforma vitalícia? Vitalícia?! Com que direito?

Algo vai muito mal na república ou na monarquia? Parece mais a segunda do que a primeira.

Antigamente os detentores dos cargos políticos ao terminar o seu sacerdócio, voltavam para casa com o mesmo que tinham antes de iniciar o seu trabalho para a causa colectiva.

A brincadeira e o desaforo têm limites!

 

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

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