A equipa sénior do Sampaense Basket encerrou ontem a época com uma vitória por 85-81 frente à AA de Coimbra, despromovida ao CN1, terminando no terceiro lugar da fase de despromoção e cumprindo o objectivo definido no início da temporada, após uma primeira fase irregular que a afastou da fase de promoção.
“Foi uma época dura, como têm sido as últimas, mas positiva porque conseguimos garantir a manutenção”, afirmou o treinador Cláudio Figueiredo no final da partida, lembrando que o objectivo ficou assegurado cedo. O técnico admite, ainda assim, “um sabor amargo” por a equipa ter ficado fora do grupo de promoção, apontando contratempos como lesões e dificuldades na integração de jogadores estrangeiros, nomeadamente atrasos relacionados com vistos. “Foram algumas das contrariedades que nos prejudicaram”, frisou.
Apesar disso, o responsável sublinha a importância de manter o clube no segundo escalão do basquetebol nacional. “É bom para o concelho, para a região e para o interior do país mostrar que também aqui se faz bom desporto”, afirmou, destacando o papel dos parceiros e patrocinadores, cujo apoio considera indispensável para a continuidade do projecto.
Proliga com novo formato aumenta exigência e custos
O enquadramento competitivo deverá agravar as exigências na próxima época. A Proliga deixará de estar dividida em Zona Norte e Zona Sul para passar a um formato único, com todas as equipas a defrontarem-se entre si, o que implicará um aumento significativo das deslocações e dos custos associados. Estão previstas viagens frequentes ao Algarve e às ilhas, à Madeira e aos Açores, num calendário mais exigente do ponto de vista logístico.
A alteração coincide com a intenção de reduzir a Proliga a 12 equipas, o que implicará, na próxima época, a descida de quatro formações, tornando o campeonato ainda mais competitivo. “Vai ser uma época dura, não só do ponto de vista desportivo, mas também económico”, antecipou o treinador Cláudio Figueiredo, sublinhando a necessidade de preparação atempada. “Para conseguirmos estar a este nível, temos de contar com o apoio de todos”, acrescentou.
Formação continua a alimentar equipa sénior, apesar da saída de jovens para estudar
A época que terminou ficou igualmente marcada pela integração de jovens da formação do Sampaense Basket na equipa sénior, num processo que o treinador Cláudio Figueiredo considera essencial para a sustentabilidade do clube. O caso mais visível é o de Guilherme Silva, sub-capitão da equipa, que iniciou o percurso no Sampaense e que, ainda como sub-18, já treinava com o plantel principal. Esta temporada, assumiu um papel regular, com presenças no cinco inicial e médias de utilização entre os 15 e os 16 minutos.
“É sinal de que o trabalho compensa”, afirmou o treinador Cláudio Figueiredo, sublinhando, contudo, a dificuldade em reter estes atletas. Guilherme Silva deverá sair para estudar fora na próxima época, um cenário recorrente. “Sabemos que o futuro deles são os estudos e é difícil mantê-los por cá”, reconheceu.
Ao longo da temporada, outros jovens sub-18 foram chamados a treinar com a equipa principal, integrando pelo menos duas sessões semanais e assumindo um papel relevante na preparação dos jogos. “Os adeptos vêem quem joga, mas os jogos preparam-se durante a semana e estes atletas são essenciais nesse trabalho”, afirmou o técnico, destacando a evolução dos jogadores.
No último encontro da época, alguns desses atletas somaram minutos em campo, num gesto que o treinador interpretou como reconhecimento. “Também fazem parte desta caminhada. Foi uma forma de compensar o trabalho deles ao longo do ano”, disse.
A aposta na formação surge como eixo estruturante do projecto. “O objectivo é integrar todos os anos um ou dois jogadores na equipa sénior”, afirmou o treinador Cláudio Figueiredo, sublinhando que esse trabalho deverá ter continuidade “comigo ou com quem estiver”, apontando este modelo como determinante para o futuro do Sampaense.
Nuno Pereira
