Correio da Beira Serra

SAP de Oliveira do Hospital pode ser reactivado já esta semana, depois da reunião do presidente da autarquia com ministro da Saúde.

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital garantiu hoje ter conseguido na reunião de sexta-feira com o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, a garantia de que o Centro de Saúde de Oliveira do Hospital vai receber de imediato dois novos médicos, o que irá permitir reactivar o Serviço de Atendimento Permanente, entre as 8h00 da manhã e as 20h00, que desde 31 de Outubro se encontra reduzido a consultas de inter-substituição. José Carlos Alexandrino espera mesmo que ainda seja possível reactivar o serviço esta semana. O autarca foi mais longe e explicou que reivindicou junto ministro a colocação de mais quatro médicos e um serviço de “urgências a sério” no concelho.

“Esta primeira fase foi negociada de forma pragmática. Não há dúvidas nenhumas. O ministro deu ordens à presidente da Administração Regional de Saúde, Rosa Reis Marques para contratar dois médicos para que o problema fosse resolvido”, salientou, mostrando esperança que o processo seja concluído rapidamente. “Espero que ainda esta semana o SAP passe a funcionar como antigamente, porque Oliveira do Hospital e as pessoas merecem. Mas as reivindicações não se ficam por aí. Precisamos de urgências a sério, 24 horas por dia, e que sejam colocados mais quatro médicos nos quadros do Centro de Saúde para colmatar a falta de médicos de família”, referiu José Carlos Alexandrino, adiantando que os quatro médicos podem vir após um concurso que vai decorrer no mês de Abril.

O autarca sublinhou, porém, que o facto de haver concursos não significa que haja médicos. E não deixou de lembrar isso a quem de direito. “Disse ao senhor ministro que é preciso alguém neste país faça alguma coisa. Os médicos devem vir por incentivos ou por colocação. São formados com dinheiro dos nossos impostos, têm de dar alguma coisa ao país e não podem ser eles a decidir onde ficam”, atirou, exemplificando com o caso dos professores que vão dar aulas onde são necessários e onde o Ministério os coloca. “Esta é uma decisão que não deve ser só deste Governo, deve ser transversal a todos os partidos”, sublinhou.

“Isto é bom, mas queremos um serviço de urgências permanente”

José Carlos Alexandrino enfatizou que esta reactivação do SAP é positiva. Mas não está completamente satisfeito. Quer mais. Quer aquilo que o próprio designou como um “serviço de urgências a sério”. “Isto é bom, mas também disse ao senhor ministro que não é o ideal. Oliveira do Hospital precisa de ter um Serviço de Urgências permanente. É que não temos um serviço de urgências. Temos um serviço de atendimento permanente, o que não é a mesma coisa. Nós não temos lá, por exemplo, um raio x”, explicou.

Salientou ainda que não o incomoda ter tomado em mãos dossiês que não são da sua competência. Questionou mesmo se há outro autarca que tenha assumido estas reivindicações, afirmando que não se arrepende por “ser o único a fazer estas lutas”. “Sei que estou a defender os mais frágeis e que não têm dinheiro para ir aos consultórios privados. O que quero é que os oliveirenses tenham acesso à saúde. É um direito fundamental. Um autarca que seja autarca não podia deixar isto em mãos alheias. Por isso, trouxemos o problema da saúde para dentro da Câmara Municipal. Não viramos as costas àqueles que mais precisam”.

O autarca também não se mostrou preocupado com aqueles que criticam a passagem das urgências nocturnas (20h00 – 8h00) para o hospital da Fundação Aurélio Amaro Diniz. Considera que, dentro das actuais circunstâncias, é uma boa solução e que está satisfeito. “Estamos melhor servidos por causa dos meios complementares de diagnóstico”, disse, adiantando ainda que para colmatar os problemas de saúde no concelho será alargada a área de abrangência da Unidade Móvel de Saúde, passando a incluir as aldeias mais reconditas da zona Norte do concelho. Este serviço, lançada por ocasião da “anterior crise de falta de médicos” em parceria com a FAAD, segundo o autarca percorreu as freguesias de Aldeia das Dez, S. Gião e Lourosa atendendo, em 2017, um total de 5429 pessoas. Com o aumento do raion de acção desta unidade em 2018 espera chegar aos 10 mil atendimentos. “Um número impressionante. São valores que a Câmara Municipal disponibiliza do seu orçamento”, concluiu.

Recorde-se que o Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do centro de Saúde de Oliveira do Hospital encerrou no dia 31 de Outubro, passando a partir dessa data todos os utentes que recorressem ao serviço de emergência do 112 (INEM) a ser encaminhados de imediato para o Serviço Básico de Urgências (SBU) de Seia, Arganil ou mesmo Coimbra. O mesmo se passa no período nocturno, dado que o protocolo assinado com o hospital Fundação de Aurélio Amaro Diniz (FAAD), que passou a assegurar as urgências nesse horário, o que se irá manter, ao que o CBS apurou, não faz parte da Rede Nacional de Urgências, pelo que também não recebe directamente aqueles utentes.

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