Correio da Beira Serra

Seia, Oliveira do Hospital, Tábua e Penalva do Castelo juntaram-se em Seia para dar nova vida aos rios

APA assinou protocolos de colaboração técnica e financeira com Seia, Oliveira do Hospital, Tábua e Penalva do Castelo no Dia Nacional da Água, numa sessão que contou com a presença da ministra do Ambiente e Energia.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, apontou a água como uma das prioridades do Governo durante a sessão do Dia Nacional da Água, realizada esta quinta-feira em Seia, onde a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) assinou protocolos de colaboração técnica e financeira com os municípios de Seia, Oliveira do Hospital, Tábua e Penalva do Castelo para recuperação de leitos de água. A iniciativa incluiu ainda a inauguração, no CISE, da exposição “Recursos Hídricos: história, sociedade e saber”.

“A água é a prioridade número um”, afirmou a ministra do Ambiente e Energia, enquadrando os acordos assinados nos programas Água que Une e Pró-Rios, que contemplam intervenções de recuperação de rios, ribeiras, ecossistemas e zonas ribeirinhas. Maria da Graça Carvalho destacou a importância destas acções para a preservação do património natural e para a vida das populações. A ministra referiu também que a barragem de Girabolhos se encontra em fase de concurso e manifestou disponibilidade para articular, dentro do Governo, investimentos relacionados com as acessibilidades à infra-estrutura.

Quatro intervenções em rios e ribeiras

Entre os acordos assinados está o que envolve o rio Cobral, em Seia e Oliveira do Hospital. No caso de Seia, o município poderá contar com um financiamento de até 270 mil euros para uma intervenção de requalificação do curso de água, com execução municipal e apoio técnico da APA. Os dois protocolos relativos ao Cobral abrangem, no conjunto, cerca de 20 quilómetros do rio.

A intervenção prevê a recuperação ecológica do curso de água, o controlo de espécies invasoras, a reposição de vegetação autóctone, a melhoria das condições de escoamento, a estabilização das margens através de técnicas de engenharia natural e a recuperação da galeria ripícola, com efeitos esperados na biodiversidade e na qualidade da água.

Em Tábua, o protocolo permite avançar com a requalificação das margens de um afluente da Ribeira de Tábua, numa extensão de cerca de 125 metros. O investimento é de 150 mil euros, financiado pela APA, e inclui a empreitada e a respectiva fiscalização. A intervenção contempla a recuperação e estabilização do leito e das margens, a melhoria do escoamento, o controlo de espécies invasoras e a criação de uma galeria ripícola com vegetação autóctone.

“É um investimento importante não apenas do ponto de vista ambiental, mas também para reforçar a segurança de pessoas e bens, prevenir e reduzir os riscos associados a fenómenos extremos e tornar o nosso território mais resiliente”, afirmou o presidente da Câmara de Tábua, Ricardo Cruz.

Em Penalva do Castelo, o acordo prevê a requalificação do Açude da Ribeira Dum, no rio Dão, com um investimento de 80 mil euros.

“Há um país que começa em cada fio de água”

Para Seia, a intervenção no Cobral representa, segundo o presidente da Câmara, Luciano Ribeiro, um primeiro passo para devolver o rio às populações e às localidades atravessadas pelo curso de água. O autarca apontou a recuperação do rio como um exemplo positivo, mas defendeu a necessidade de envolver a população e a indústria de lacticínios na preservação do curso de água, de forma a garantir que os problemas ambientais não voltam a repetir-se.

“Há um país que começa em cada fio de água que corre da Serra da Estrela”, afirmou Luciano Ribeiro, defendendo também uma maior atenção às especificidades dos territórios de baixa densidade e às necessidades de financiamento destas regiões.

O presidente da APA, Pimenta Machado, sublinhou a importância de cuidar dos rios e das suas margens, defendendo intervenções que devolvam espaço aos cursos de água e privilegiem soluções naturais na recuperação dos ecossistemas.

A iniciativa terminou com a inauguração da exposição “Recursos Hídricos: história, sociedade e saber”, no CISE. A mostra reúne instrumentos, equipamentos, documentos e fotografias relacionadas com a gestão da água em Portugal. A exposição, da autoria de Inês Andrade, pretende recuperar a memória de quem trabalhou na gestão dos recursos hídricos e mostrar a evolução do conhecimento e das práticas ligadas à água.

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