Correio da Beira Serra

Self. Autor: Fernando Roldão

Pode parecer estranho estar a dar um titulo em inglês, a um artigo, em língua portuguesa e num jornal português.

Iniciar alguma polémica, também daí não virá mal ao mundo, pois sou de opinião que às vezes é preciso agitar as águas,  para que as pessoas acordem da letargia que deixaram que se instalasse nas suas mentes.

Temos na língua portuguesas palavras que significam o mesmo que as expressões em inglês.

Isto é um fenómeno linguístico que existe em todas as línguas, em maior ou menor quantidade, o que aliás já se passou em Portugal, nos séculos IXX e XX, com os famosos francesismos.

Voltou a estar na moda, sobretudo devido à generalização da informática e da internet.

Temos um presidente da republica que ajudou imenso nessas expressões em inglês, sobretudo as palavras “selfies”  e “take away”, inclusive um maior uso de “selfservice”.

Auto-retrato é a nossa expressão, que as pessoas pouco utilizam, em detrimento da inglesa.

Hoje vou focar-me nestas frases, tentando explicar a ligação entre elas e a política, porque afinal de contas, infelizmente, anda há portugueses que não sabem o seu significado.

As novas tecnologias estão a trazer novas palavras para a língua portuguesa e a colocar, na despensa, muitas outras de fabrico nacional. Infelizmente muitos pensam que ao usar a língua inglesa, o seu “Status” melhora.

Pessoalmente não sou contra esse fenómeno, pois não fomos os criadores dessas novas tecnologias e por consequência, nunca poderemos ser os padrinhos das mesmas, contudo devemos dar mais atenção à nossa língua materna, preservando-a e protegendo-a , dentro de limites razoáveis, porque afinal estamos na lista das mais faladas línguas do mundo.

Vou começar pela palavra “takeaway”, que em português, “no caminho apanhe e leve” ou “apanhe e leve”..

É talvez a mais antiga das três que hoje trago ao texto para lhe dar vida e sentido.

Os políticos são os que mais usam e abusam dela, pois levar para o caminho (leia-se) ou para casa é moda entre eles.

É prática comum e quase diária, dado que desde que entram para o círculo do poder, começam o seu “taleaway”.

Gente que chega ao circo, com uma mão à frente e outra atrás, rapidamente toma o gosto pela expressão em inglês e das letras, logo passam à acção, atestando os seus depósitos pessoais.

Claro que a fila para o “apanhe e leve” é enorme e só os mais lestos conseguem levar para casa, não deixando nada para os que, devido às suas parcas condições, não o conseguem fazer, contentando-se em ver passar à sua frente, coisas das quais também têm direito, por isso é que há uns com tanto e outros sem nada.

Temos que colocar de parte a expressão inglesa e passar a usar “ pára de levar e deixa também para mim”.

Acho que quase todos já utilizamos o “self service”, em cafetarias, restaurantes e afins.

Um cidadão comum, ao utilizar esta modalidade, por norma só retira o que lhe baste, evitando, assim, desperdícios.

Claro que ao fazê-lo contribui para uma melhor divisão da comida, dando hipóteses aos que vêm a seguir, poderem ter o seu quinhão. É também um acto maduro de civilização e de respeito pelos outros.

Infelizmente há muita gente que tem mais olhos que barriga e aqui vai o destaque para os políticos, que usam o sirva-se a si próprio, como se atrás de si não estivesse mais ninguém.

Os políticos são peritos no uso desta expressão, pois servem-se e muito, do que é dos outros, esquecendo-se, propositadamente, que o que estão a colocar no “prato”, não lhes pertence.

Não estou a falar do restaurante que funciona na Assembleia da Republica, mas das mordomias, subsídios e subvenções, que ao cair no prato deles, nada sobra para os últimos da fila.

Proponho a exclusão do vocabulário dessa expressão, substituindo-a por outra; leve só o precisa e não mexa no que é dos outros ou em inglês “ take only you need”.

Guardei para o final a expressão “selfies”, que se popularizou com a chegada dos “smartphones” ou telemóveis inteligentes.

Não há quase ninguém que nunca tenha tirado um auto-retrato, com amigos, familiares ou alguma figura pública.

É comum e faz parte do nosso quotidiano, por isso nem nos damos ao trabalho de verificar que estas “selfies”são uma faca de dois gumes, pois comprometem-nos com as figuras com quem partilhámos o ecrã.

A banalização do auto-retrato tem sido utilizada por muitos políticos, figuras públicas e de estado, para auto promoção, grátis, pois o dono do aparelho é unicamente um adereço.

Cuidado com as pessoas que promovemos e com as quais partilhamos o nosso ecrã.

 

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

 

 

 

 

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