Correio da Beira Serra

“Só foram retiradas quatro obras do PRR a nível nacional e duas são na zona afectada pelos Incêndios de Outubro de 2017”

O Movimento de Associativo de Apoio às Vítimas de Midões (MAAVIM) mostrou-se hoje muito critico quanto ao facto de empreitadas como o IC6, IC7, IC12, IC37 e ligação a sul à IP3, entre outras, não seguirem para obra e de até terem sido “retiradas do PRR, que seria uma forma mais rápida para executar estes investimentos que são prometidos há décadas e que teimam em não passarem de promessas”. Estas acessibilidades seriam, segundo a MAAVIM, “um bem urgente para ajudar economicamente a região”.

“Também achamos estranho que só fossem retiradas quatro obras do PRR a nível nacional e duas são na zona afectada pelos Incêndios de Outubro de 2017”, sublinha o porta-voz do movimento, Nuno Tavares Pereira.

“Lembramos que relativamente a este assunto das acessibilidades, estas estavam previstas para atravessarem as zonas mais afectadas pelos incêndios de Outubro de 2017, nomeadamente na zona de Tábua (Candosa, Covas, Vila Nova de Oliveirinha), em Oliveira do Hospital (Travanca de Lagos, Oliveira do Hospital, Lajeosa, Lagos da Beira, Penalva de Alva, São Gião), em Seia (Torrozelo, Sandomil, Vide, Teixeira) no caso do IC6, no caso do IC7 freguesias de Seia, Gouveia e Celorico da Beira, no caso do IC12 freguesias do concelho de Nelas e Mangualde, no caso do IC37 freguesias de Seia, Nelas e Viseu. Já na ligação a Sul à IP3, as freguesias abrangidas seriam dos concelhos de Penacova, Vila Nova de Poiares, Lousã, Góis e Mirando do Corvo”, conta Nuno Tavares Pereira, referindo que há “concelhos que não têm os PDM´S preparados para fazer tais investimentos”.

“Temos troços que não têm sequer estudo de impacto ambiental. Enfim temos uma série de promessas que não passam disso, porque: de que valem as Infra-estruturas de Portugal dizerem que vão lançar um concurso para estudo para uma parte do IC6, se até à data de hoje ainda não existem as peças concursais?”, questiona, deixando ainda outras perguntas para os membros do Governo e autarcas. “De que vale ter um Ministro a dizer que as obras vão ter financiamento, se não informam para que data é a execução e quem vai fazer a obra? De que vale ter uma Ministra dizer que a obra vai ser feita e que quem vai pagar são os contratos do 5G, se não temos 5G e não temos obras? De que vale ter autarcas a dizer que vão ser feitas as obras, se não as adjudicam e não fazem um metro de obra há mais de 10 anos?”, continua Nuno Tavares Pereira.  “De que vale falar de Coesão, se para as empresas locais poderem exportar ou para quem quer vir visitar-nos (em trabalho ou turismo) têm de pagar portagens e não tem acessibilidades dignas para o século XXI? De que vale falarem das linhas de ferrovia, se em 90% do território não temos linhas de ferrovia? De que vale falar em investir no Interior assolado pelos incêndios se os incentivos são para os que vêm de fora?”, remata.

O Movimento de Associativo de Apoio às Vítimas de Midões não se esquece de voltar também a relembrar que, depois do enorme desastre ocorrido em Outubro de 2017 na nossa região, as muitas promessas que foram feitas de ajuda às populações afectadas não passaram de um plano de intenções. “Actualmente existem ainda centenas de famílias sem habitação e as habitações que entraram em contratação pela CCDR-C ainda não foram terminadas, passados três anos e seis meses”, frisa Nuno Tavares Pereira, concluindo que “existem agricultores e produtores florestais que nunca tiveram nenhum apoio, ou pelos motivos de falta de abertura de candidaturas específicas para a sua actividade ou por falta de elegibilidade”.

Exit mobile version