Correio da Beira Serra

Tábua continua entre as câmaras que mais demoram a pagar a fornecedores

Tábua foi a câmara municipal que mais tempo demorou a pagar aos fornecedores no último trimestre de 2025, com um prazo médio de 146 dias, segundo dados da Direcção-Geral das Autarquias Locais divulgados pelo ECO. Santa Comba Dão surge também entre as autarquias com pagamentos acima de 60 dias, embora tenha reduzido o prazo em 13 dias.

Os dados mostram um agravamento nacional deste indicador. Pelo menos oito por cento dos municípios portugueses pagavam as suas facturas a mais de 60 dias, contra 4,8 por cento no trimestre anterior. A informação estava ainda incompleta, uma vez que faltavam dados validados de 76 câmaras.

Apesar de liderar a lista, Tábua mantém uma trajectória de melhoria há cinco trimestres, afastando-se do pico de 243 dias registado no final de 2024. Ao ECO, o presidente da Câmara de Tábua, Ricardo Cruz, garantiu que a situação real é melhor do que a reportada pela DGAL, apontando para um prazo de 110 dias no final de 2025.

A diferença, explicou o autarca, resulta do momento em que os dados são apurados. A DGAL fez o corte a 26 de Janeiro, enquanto os 110 dias resultam do relatório e contas final, fechado mais tarde e já com a validação das contas das entidades nas quais a autarquia tem participações financeiras.

Santa Comba Dão aparece no grupo das câmaras que pagam a mais de 60 dias, mas com evolução favorável. De acordo com o ECO, o município reduziu o prazo médio em 13 dias e mantém uma trajectória descendente desde o último trimestre de 2024, quando atingiu um máximo de 212 dias.

O atraso nos pagamentos municipais é acompanhado pela Direcção-Geral das Autarquias Locais desde 2008, no âmbito do programa Pagar a Tempo e Horas. As câmaras que não cumprem os deveres de informação podem sofrer retenções nas transferências do Estado.

O Orçamento do Estado para 2026, recorde-se, mantém penalizações para autarquias com pagamentos em atraso e prevê que os municípios reduzam em pelo menos dez por cento as dívidas com mais de 90 dias. Segundo o presidente da Câmara de Tábua, estes cortes podem agravar a situação financeira dos municípios.

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