Correio da Beira Serra

Também nas tempestades – “Mais vale prevenir que remediar!” … Autor: João Dinis, Jano  

Os caminhos agro-florestais ficam quase intransitáveis. É necessário recuperar esses caminhos !

A experiência e a sabedoria populares ensinam este postulado que é válido tanto para fogos rurais como para intempéries e tempestades…

 Bom seria que estas verdades passassem a ser aplicadas, na prática. Mas isso tarda, até já tarda demasiado…

Por exemplo, e tendo agora mais em conta as fortes e persistentes chuvadas, que conveniente teria sido, logo a partir do final do Verão, ter sido feita a limpeza e a manutenção das valetas, dos canos para as águas por baixo das passagens para os terrenos confinantes às Estradas, dos aquedutos, nas principais Vias Rodoviárias de Comunicação, desde logo nas Municipais!… Porém, isso não tem sido convenientemente planeado e ainda menos executado. Então, agora, com as águas pluviais “tapadas” quase que a cada cem metros, essas Estradas recolhem autênticos “riachos” a atravessá-las de uma berma para a outra, com lençóis de água a fazer perigar o trânsito e a danificar o asfalto… A propósito, lembremo-nos dos antigos “Cantoneiros” que passavam os seus dias a trabalhar, ao frio e ao calor, na manutenção de valetas e Estradas… Porém, e pelos vistos foi má ideia, souberam acabar com essa profissão/função e com ela lá se foi a limpeza e a manutenção, mais regulares, das Estradas.  É pena!

Talvez que um dia destes, algum dos tecnoburocratas de serviço em organismos governamentais ou para-governamentais, nos venha dizer para inserirmos os troços das Estradas afectadas, numa “plataforma digital” para vir um drone arranjá-los… São mesmo capazes disso!  Aliás acabam de dizer a milhares de lesados pelas actuais intempéries para se candidatarem às ajudas através de “plataforma digital”. E, isto, para regiões devastadas, sem comunicações e sem electricidade, e para tanta Gente que nem tem nem percebe de computadores e “plataformas digitais” … E “decretam” que sejam as Autarquias a prestar esse serviço aos lesados… Ao procederem assim, querem impor autênticas cretinices oficiais!  Mas não são ingénuas enquanto pretendem ser “modernaças”, essas “redes” de tecnoburocratas pois aquilo que mais pretendem é afastar as Pessoas do contacto directo com os organismos públicos centrais, é desumanizar os serviços, é “poupar” (mal…) nos orçamentos, é fomentar as negociatas com computadores, programas, plataformas, telecomunicações… Aliás é o costume!…

Oliveira do Hospital está a ser bastante afectado pelas tempestades! Governo ainda não incluiu o nosso Concelho nas regiões de crise…

 A propaganda governamental em torno das eventuais ajudas para amenizar a crise, essa propaganda saiu logo à rua aliás até antes dos (des)governantes terem feito o mesmo… Mas no meio dessa conversa, “esqueceram-se” de incluir o nosso Concelho na lista inicial dos concelhos com acesso a tais ajudas!  Perante a contestação, admitem entretanto que essa não-inclusão pode ser corrigida.  Pois que o seja e depressa!

E, claro, há problemas concretos resultantes directamente das águas bravas e em excesso.  No nosso Concelho sobretudo estão afectados o Vale do Alva e do Alvôco.  Vai ser necessário aplicar mais algumas centenas de milhar de euros para recuperar a zona, as suas Praias Fluviais e outras infra-estruturas!

Mas também há muitos danos aqui na zona da Cordinha, mais na Terra-Chã, etc. Assim, a Câmara Municipal vai ter que enfrentar, a sério, a recuperação local, por exemplo, dos caminhos agro-florestais, de alguns muros de sustentação, de valas e valetas. E a desobstrução de valados e linhas de água.  Não, isso tudo não pode ser adiado por muito tempo!  Atenção pois!

E também a nível concelhio, e por aqui na Cordinha em especial, há outros problemas a reclamar reparações, que são consequências indirectas da chuva persistente. Falamos, por exemplo, das dificuldades acrescidas para os Produtores Pecuários, designadamente de Ovelhas e Cabras, com a falta de alimentação natural para os efectivos. Ou seja, reclama-se apoio extraordinário para ajudar os Produtores Pecuários na aquisição de alimentação para os seus animais!

Democratizar a Protecção Civil. Para melhor proteger as Populações… Envolvendo as Populações e as Freguesias…

Voltamos a reclamar esta opção verdadeiramente estratégica! Sim, democratizar a Protecção Civil é aproximá-la, e muito, das Populações concretas. É criar mais condições institucionais e práticas para prevenir males evitáveis e para resolver problemas concretos de forma mais expedita e participada.

Diz a Lei de Bases da Protecção Civil em vigor que podem (e devem, dizemos nós…) ser constituídas “Unidades Locais de Protecção Civil” a partir de cada Freguesia. De nossa parte manifestamos o maior interesse e a maior disponibilidade para esse efeito!

Não desistiremos de lutar por esse justo e necessário desiderato!  O interesse das nossas Populações merece e exige o esforço!

 

 

Autor: João Dinis, Jano

 

 

 

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