“António Costa não tem outra ambição que não seja a da mediocridade. Quer nivelar por baixo e tem um país mais desigual entre gerações: as mais novas têm cada vez pior emprego, mais dificuldade no acesso à habitação e menos expectativa de receber pensões”, diz o antigo ministro do Governo de Pedro Passos Coelho, Miguel Poiares Maduro, que ontem esteve à conversa com militantes sociais democratas, na Guarda, a convite do Círculo Eleitoral da Guarda e dos candidatos a deputados, Gustavo Duarte e João Prata.
“Há três pontos fundamentais em que há escolhas para serem feitas pelos portugueses nestas eleições. O primeiro, há uma escolha entre continuidade ou mudança. O segundo, uma escolha entre premiar quem alimentou a radicalização da política portuguesa ou quem tudo fez para moderar a política portuguesa. E o terceiro, entre quem trouxe para o exercício da política uma ideia de quase impunidade ou quem quer voltar a imbuir o exercício da política de uma ideia de responsabilidade”, salientou Poiares Maduro, para quem que o PS “não tem um projecto para o país, mas sim um projecto para ocupar o poder”.
O antigo governante lembrou ainda que Portugal “foi sucessivamente ultrapassado por outros países que há pouco tempo eram muito mais pobres. “Temos dos salários mais baixos da União Europeia e os salários que estão cada vez mais próximos do salário mínimo. Há também o aumento das assimetrias. Temos de inverter o círculo vicioso de pouco investimento económico nos territórios de baixa densidade, de pouca actividade económica, de perda de massa crítica, de perda de jovens; e transformá-lo num círculo virtuoso, que é atrair investimento, atrair jovens, massa crítica. Isso não é fácil, mas exige pelo menos um conjunto de medidas de discriminação positiva, que o Governo que integrei tinha começado. Fazer investimentos nestes territórios dava uma bonificação positiva à selecção dos projectos de investimento”, disse, apontando a “visão cínica da política” por parte do PS pela actual situação.
“O aumento das assimetrias deve-se a uma visão cínica da política, porque há menos votos aqui. Por isso é que é importante este projecto da reforma da lei eleitoral, em que eu participei numa comissão do PSD, em que se dá mais representatividade eleitoral aos territórios do Interior, sem colocar em causa a proporcionalidade”, continua o antigo ministro, acusando António Costa de não ter propostas e de deturpar as dos outros. “Tem uma prática da governação que eliminou o conceito de responsabilidade política. Escândalo, atrás de escândalo, atrás de escândalo, e António Costa a sentir-se impune e deixar impunes aqueles que debaixo da sua autoridade continuaram a exercer funções governativas ou outras, em circunstâncias que o país considerava já inadmissíveis”. “Vai valer tudo numa tentativa de contaminar o debate”, concluiu.
