Tal aconteceu na festa comemorativa da efeméride que juntou muitos familiares e amigos, muitos dos quais companheiros das últimas eleições autárquicas.
“Agradeço a toda a gente o amor, o carinho, o grande humanismo. “É amor e calor humano a mais”, referiu a centenária senhora profundamente grata pela presença de mais
Cinco gerações que ontem chegaram a causar estupefação, em particular quando Teresa Lopes aconchegou ao colo a trineta de apenas dois meses.
Momentos de ternura protagonizados pela mulher que, aos 100 anos, é uma referência na família e entre as gentes que com ela têm convivido ao longo dos anos . “A minha maior felicidade foi de nunca ofender ninguém, nem nunca chamar ninguém de nomes. E podem dar a volta a Vila Franca que ninguém me deita uma agulha”, refere confiante a “Ti Teresa Minéria”, como é carinhosamente apelidada na terra que adotou como sua e onde acabou de criar os seus oito filhos.
“Toda a gente diz que nunca entrou ninguém de fora que fosse tão acarinhada, como eu sou”, continuou, notando a forma como Vila Franca da Beira a venera a si e à sua família.
“Se for viva, volto-me a candidatar”
Aos 100 anos, os dotes de Teresa Lopes não se esgotam na boa mãe, respeitosa mulher e conceituada padeira. A “Ti Teresa” também surpreende nas andanças políticas. E já avisa: “se for viva volto-me a candidatar”. Porquê? – “Gosto muito disto. Fisicamente não faço nada, mas estas cherinolas que vou dizendo agradam a toda a gente”, responde.
Também presenteada pela Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital e presidentes de Junta de Freguesia, Teresa Lopes viu igualmente reconhecida a marca que deixa entre a família socialista. “A D. Teresa deixou uma grande marca no nosso convívio”, sublinhou o presidente da Comissão Política do PS de Oliveira do Hospital, oferecendo à centenária senhora uma fotografia tirada em setembro de 2009 aquando de uma ovação que lhe foi dirigida no decorrer da convenção autárquica. Uma fotografia com que o PS “imortaliza” a “vivacidade e a combatividade” com que Teresa Lopes integrou a equipa candidata à Assembleia de Freguesia de Vila Franca da Beira. “Foi esta alegria que nos levou ao lugar onde hoje estamos”, referiu José Francisco Rolo.
Emocionado pelo testemunho de vida da mãe, António Lopes confessou a “grande alegria” pelo centenário da sua progenitora e fez votos de que as amarguras por que passou Teresa Lopes não se voltem a verificar. “Aos senhores com responsabilidades políticas peço que evitemos a história como a que a minha mãe passou toda a vida”, afirmou o filho e presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, aludindo em particular aos “esgazeados da guerra, à pneumónica que vitimou famílias inteiras, à segunda guerra mundial e ao governo de Salazar.
“Efetivamente, foi uma vida de muitos sofrimentos e gostaria que isso não voltasse a acontecer”, desejou, dirigindo-se em particular aos deputados do PS na Assembleia da República, Mário Ruivo e João Portugal, presidente da Câmara Municipal, presidente do PS oliveirense e ao ex governante António Campos que “na sombra ainda continua a ter responsabilidades na governação”.
