Correio da Beira Serra

Turismo balnear: um ativo estratégico Oliveira do Hospital. Autora: Bárbara Coquim Serra*

Chegou o verão e, com ele, o tempo quente que convida ao lazer e ao contacto com a natureza.

Enquanto algumas regiões do país enfrentam os efeitos do turismo excessivo, Oliveira do Hospital e o interior do país continuam à margem dos grandes fluxos turísticos. Mas isso não é uma fraqueza — é uma oportunidade. Uma oportunidade para crescer de forma equilibrada, sustentável e com respeito pelo território e pelas comunidades locais.

O turismo balnear, ancorado nas nossas praias fluviais e nos rios que moldam a paisagem e a identidade do concelho, pode e deve ser um dos pilares dessa estratégia. Num momento em que se discute o futuro do turismo em Portugal e na Europa, está cada vez mais claro que o crescimento não pode assentar apenas no aumento do número de visitantes, mas na qualidade da experiência, na autenticidade da oferta e na capacidade de distribuir a procura por todo o território.

Oliveira do Hospital tem recursos naturais de excelência, tem património, tem gastronomia, tem identidade. Contudo, falta visão política para integrar estes ativos num plano consistente de promoção do concelho como destino de turismo de natureza e bem-estar.

Falta, desde logo, um plano claro que articule a requalificação das infraestruturas existentes com a criação de novos polos de atração, que pense na mobilidade, na acessibilidade, na restauração, no alojamento local e na animação cultural. Um plano que envolva as juntas de freguesia e as populações locais. Um plano que vá além das pequenas obras pontuais feitas à pressa em vésperas da abertura da época balnear.

Em Oliveira do Hospital, a ausência de uma rede eficaz de transporte coletivo limita gravemente o acesso às zonas balneares do concelho. Fora do transporte individual, praticamente não existem alternativas viáveis para chegar às praias fluviais, sobretudo durante o verão, quando a procura mais se justifica. A inexistência de carreiras regulares de autocarro que liguem as freguesias, traduz-se numa exclusão prática de quem não tem viatura própria — sejam residentes ou turistas.

Falta também investimento público continuado, capaz de garantir que estas zonas balneares não só recebam visitantes, mas também os fidelizem, para que a procura seja contínua, ou até um crescendo, de ano para ano.  Daí a aposta ter de ser na promoção e comunicação do território. Não basta ter praias fluviais bonitas e bem equipadas — é necessário que as pessoas saibam que elas existem, que sintam vontade de as visitar e que tenham acesso a informação clara e apelativa. Falta uma narrativa turística coerente, que valorize a autenticidade do território, o equilíbrio entre natureza e património, e a hospitalidade das suas gentes. A comunicação tem de ser constante, profissional, segmentada por públicos, integrada em plataformas regionais e nacionais.

Por fim, importa que o município assuma um papel ativo no apoio às freguesias, muitas vezes limitadas em meios e recursos, ajudando-as a criar programações diversificadas nas praias fluviais — pensadas para jovens, famílias e população sénior — que animem estes espaços e os transformem em verdadeiros centros de vida local durante o verão

Um dos grandes desafios que as juntas de freguesia enfrentam na gestão das praias fluviais, e ano após ano o evidenciam, é a falta de apoio financeiro dedicado ao pagamento dos nadadores salvadores. Estes profissionais são essenciais para garantir a segurança dos banhistas e o bom funcionamento da época balnear, mas a ausência de uma ajuda de custo consistente por parte dos municípios compromete a sua contratação e permanência, exigindo um esforço orçamental considerável por parte destes órgãos autárquicos que são o núcleo da vida autárquica e o símbolo de proximidade às comunidades: as nossas juntas de freguesia.

Todavia, nenhuma destas vias terá sucesso se não houver continuidade que só é possível com planeamento e com diálogo sério com quem conhece e trabalha nestas aldeias. Habituámo-nos, talvez, a pensar o turismo como algo externo, vindo de fora, quando ele deve começar dentro: no envolvimento dos habitantes, no compromisso dos comerciantes, na coragem dos pequenos investidores que acreditam no potencial da terra. São esses agentes locais que garantem que o turismo é uma oportunidade para todo o território.

O futuro do turismo em Portugal passa por aqui. E Oliveira do Hospital tem todas as condições para ser parte ativa dessa mudança — desde que saiba reconhecer o seu potencial e agir com estratégia, ambição e responsabilidade.

 

Autora: Bárbara Coquim Serra
* Jurista e deputada da coligação PSD/CDS-PP

 

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