Os eleitos do PS, incluindo os respectivos suplentes, para a União de Freguesias de Celorico da Beira, São Pedro e Santa Maria, e Vila Boa do Mondego, no concelho de Celorico da Beira, apresentaram hoje a demissão. A decisão surge na sequência de um impasse que se arrasta desde as eleições de 22 de Outubro de 2025, que deram a vitória ao PSD e a Fernando Veiga, permitindo a eleição de quatro elementos pelo PSD, quatro pelo PS e Paulo Caetano, eleito pelo movimento independente, mas sem que se chegasse a acordo para a constituição dos novos órgãos. Paulo Caetano detém agora a posição decisiva: se acompanhar a demissão apresentada pelos socialistas, a junta ficará sem quórum, tornando inevitável a convocação de eleições intercalares.
Paulo Caetano explicou que vai reunir-se com os elementos da sua lista antes de tomar uma decisão definitiva, mas sempre vai dizendo que Fernando Veiga nunca quis dialogar com os independentes, por não os considerar uma força política. Garantiu, no entanto, que sempre defendeu a busca de um consenso, mas que não teme voltar às urnas, sublinhando que o interesse das populações deve estar em primeiro lugar
Fernando Veiga, líder da lista vencedora do PSD e reeleito para a presidência da junta, afirmou estar de consciência tranquila, garantindo ter feito tudo para viabilizar negociações que permitissem formar os órgãos da autarquia, como foi o acordo para a constituição do executivo (passava a integrar um membro do PS). “Isso demonstra a nossa boa vontade e que não foi por nós que as coisas não avançaram”, explicou o presidente eleito, acrescentando que será agora necessário verificar se as assinaturas correspondem à totalidade dos demissionários e, caso se confirme a ausência de quórum, serão convocadas eleições intercalares. Veiga frisou que o processo poderia ter sido evitado com diálogo, mas que está pronto para enfrentar novamente as urnas, defendendo que sempre actuou em função do interesse da população.
José Peralta, líder da candidatura do PS, explicou que a demissão de todos os membros efectivos e suplentes é irrevogável e resulta da falta de confiança e das divergências constantes, que impediram qualquer consenso sobre a governação da junta. Segundo Peralta, a decisão foi tomada após cinco meses de tentativas frustradas de desbloquear a situação e teve em vista o melhor para as localidades desta freguesia. “Tentámos sempre levar isto a bom porto e procurámos ser coerentes. Sempre dissemos que quem ganhasse deveria governar, mas nestes moldes não era possível continuar. Durante cinco meses sentimos que a situação foi sendo empurrada e chegámos a um ponto em que já não dava mais. Não havia confiança. Íamos para uma reunião, dizia-se uma coisa e depois fazia-se outra. Criou-se um clima em que deixou de existir confiança”, rematou.
