Unidade de turismo rural do concelho de Seia foi novamente afectada este ano pelos incêndios, algo que já tinha acontecido em Outubro de 2017
A unidade de turismo rural do Chão do Rio, situada em Travancinha, concelho de Seia, foi afectada pelos incêndios que em Agosto dizimaram parte da Serra da Estrela e a estrutura viu-se obrigada a encerrar portas por dois longos meses. Algo que já tinha acontecido, por sete meses, quando. em Outubro de 2017, o espaço foi atingido pela tragédia dos fogos que devastaram a região. As chamas, desta vez, foram mais comedidas, mas destruíram algumas estruturas e cerca de metade da área da propriedade, incluindo um jovem carvalhal em recuperação dos fogos 2017. Reparados os danos, a estrutura reabriu novamente e com medidas reforçadas.
“Procuramos que fosse numa data simbólica. Escolhemos o dia 16 de Outubro, data em que se contam precisamente cinco anos do fecho do estabelecimento depois dos incêndios de 2017. Sendo coincidência, este simbolismo tornou-se a catarse de superação do drama vivido pela segunda vez. E assim, do desalento à esperança, o Chão do Rio renasce mais forte”, explica a gerente Catarina Vieira que mostra ser uma pessoa incapaz de baixar os braços.
“Poderíamos desistir ou aprender. Optámos pela segunda hipótese”, revela. “Este ano, o efeito foi menos drástico, é certo, mas o encerramento foi inevitável e o desalento que se seguiu também. A abordagem que o Chão do Rio tem adoptado, porém, é sempre a da aprendizagem… Que lições tirar… o que fazer num contexto adverso? A natureza está aí para nos inspirar: nunca pára, depois da destruição, o renascimento começa a acontecer. E foi isso que logo nos dias seguintes o Chão do Rio começou a fazer: trabalhar no renascimento”, continua esta responsável que em 2017 teve um prejuízo a rondar os 200 mil euros, incluindo duas casas afectadas. Este ano, o fogo vindo de Lagares da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital, entre outros estragos, destruiu um jovem carvalhal e medronheiros que tinham sido plantados numa zona de pinhal destruído pelas chamas de 2017. Um prejuízo estimado em cerca de 65 mil euros.
Catarina Vieira lembra que a sua equipa e alguns amigos, bem como o sistema móvel de combate a incêndios da propriedade, foram essenciais na defesa das icónicas casinhas que fazem parte do empreendimento. “Agora estamos a apostar num sistema fixo, porque estes fenómenos não nos parece que vão parar e temos de preparar o terreno para o Inverno”, conta. Por isso, na recuperação que está a ser feita existe o cuidado de
cortar a madeira ardida e deixar a estilha no solo para o proteger. Foram feitas barreiras de contenção da água, contra a erosão das encostas e semeou-se trevo branco nas encostas, para ajudar a fixar o solo. O empreendimento passa também a contar com uma equipa só para a manutenção dos espaços exteriores que, numa primeira fase será responsável pelas plantações e rega e, mais adiante, pelas podas e limpezas mecânicas.
“No que respeita à recuperação dos quatro hectares da sua área florestal, agora rebaptizada de ‘Floresta da Esperança’ (área de reserva de biodiversidade para a compensação da pegada de carbono da unidade), percebeu-se a necessidade de mudar a abordagem: em vez de semear, plantar (para recuperar o tempo perdido) ou permitir a regeneração espontânea de arbustos úteis para a biodiversidade, mas que apresentam elevada combustibilidade (como as giestas), optou-se por plantar arbustos menos combustíveis, como os medronheiros. A limpeza do terreno também vai ser mais agressiva para impedir o crescimento de giestas e a regeneração espontânea dos matos de pirófitos. Está ainda prevista a criação de uma charca de rega e a colocação de canhões de água de combate a incêndios”, conta Catarina. Os hóspedes do Chão do Rio que o desejarem, explica, poderão participar financeiramente neste processo de regeneração, em breve esta possibilidade será disponibilizada em www.chaodorio.pt, através da aquisição de ‘Certificados de apadrinhamento da Floresta da Esperança’”, frisa a empresa.
“Mas o que esperar da experiência Chão do Rio após a reabertura? Em rigor, não haverá muitas diferenças, tudo que era apreciado mantém-se, a equipa de sempre continuará a receber os nossos hóspedes com renovado alento. O cabaz de pequeno-almoço mantém as delícias locais tão apreciadas. O verde regressou ao prado, a piscina ainda tem nenúfares, as sete casinhas com as suas redes continuam a ‘sorrir’ e os carvalhos grandes também lá estão, embora os tons outonais se comecem a instalar”, frisa.
Para quem gosta do contacto com animais, Catarina Vieira promete aos clientes que vão encontrar o ‘Chão dos bichos’ num novo lugar, junto à horta. E chama ainda a atenção para a necessidade de estes empreendimentos, tão importantes para a economia local, garantirem a necessária segurança aos clientes. “A insegurança é o pior inimigo para quem procura tranquilidade e contacto com a natureza”, conclui.
Fotos: Pedro Ribeiro
