Já lá vão muitos anos, mas até agora nunca se conheceu um plano para reflorestar e devolver a vida a um dos locais mais belos – e com forte aptidão turística – do concelho de Oliveira do Hospital.
Estrangeiros rendem-se ao encanto do Vale
Com uma deslumbrante vista sobre o Mondego, aqui e além avistam-se centenários socalcos de pedra feitos pelo homem que são um testemunho vivo do passado de uma agricultura de montanha. Da presença humana, já poucos são os vestígios. Os terrenos – outrora agricultados – estão cobertos de mato e as casas de pedra em ruínas. Ao longe, avistam-se já várias casas construídas por estrangeiros que vão trocando o buliço das cidades pelo encanto do vale. Uns trazem os outros…
Património ao abandono
Mas neste território, que é hoje uma espécie de terra de ninguém, predomina também um importante património arqueológico que nem sequer está inventariado quanto mais protegido. Em pleno rio – conforme documentam as imagens – erguem-se as ruínas de uma antiga fábrica de papel, com um corredor e dois arcos de granito – a sua configuração é muito idêntica ao arco romano da Bobadela – ainda em bom estado de conservação. No local, uma placa avisa: “É proibido tirar pedras”. Para a zona está prevista a construção de uma mini-hídrica que, se não forem tomadas medidas, certamente inundará o monumento.
Na margem do rio – onde o barulho das suas águas a galgarem os açudes vale ouro –, há vários moinhos onde antigamente as populações moíam os cereais. Estão todos ao abandono…
Areeiros abrem feridas na paisagem
Paralelamente ao estado de abandono do vale, ao longe vêem-se as feridas abertas na paisagem pelas empresas que se dedicam à extracção de inertes. Uma foi recentemente encerrada, mas a outra – na margem esquerda do rio – continua a laborar. Em plena Rede Natura 2000.
Henrique Barreto
Fotos: João Sargo