Correio da Beira Serra

Varanda do Mondego, um restaurante que procura elevar os sabores autênticos da Serra da Estrela

Paulo Caetano e Luís Gonçalves

Paulo Caetano precisava de encontrar um parceiro para criar o restaurante que tinha em mente no edifício construído há vários anos em Celorico da Beira, juntamente com o snack-bar 2000 e as bombas de combustível da Repsol (o local é mesmo conhecido pelo nome daquela marca espanhola de energia). O projecto de cozinha do chefe Luís Gonçalves, que passa por uma aposta nos produtos endógenos, como o borrego Serra da Estrela ou queijo Serra da Estrela, ofereceram-lhe o que precisava. Portanto, não hesitou. E o Varanda do Mondego recebeu, finalmente, em Outubro, os primeiros clientes que tiveram oportunidade de “saborear experiências únicas”. Desde as entradas, às sobremesas. Tudo, garante Paulo Caetano, com produtos de Denominação de Origem Protegida. Afinal, o empresário pretende “um restaurante que eleve os sabores autênticos da Serra da Estrela”.

“Queria algo de diferenciador. Um restaurante que tivesse uma assinatura e capacidade de atrair clientes que apreciam os nossos produtos aqui da região da Serra da Estrela. Mas para isso precisava do parceiro certo. E aqui o chefe Luís convenceu-me com a sua cozinha”, conta o empresário Paulo Caetano que esteve vários anos emigrado na Suíça, onde, diz, trabalhou na área da hotelaria e aprendeu que “a qualidade e o bem servir podem fazer a diferença”. “São conceitos que procuramos aplicar aqui neste restaurante”, conta.

Além do foco nos produtos endógenos, o Varanda do Mondego também preserva um compromisso com a sustentabilidade e a agricultura local. Os produtos que existem na região são adquiridos em quintas e produtores locais, promovendo uma ligação estreita com a comunidade e garantindo a qualidade e frescura dos artigos. “Não estamos a falar apenas do borrego serra da Estrela ou do queijo, mas também dos microvegetais, legumes, etc… Tudo o que podemos, compramos aqui”, sublinha o chefe Luís Gonçalves, natural de Vila Garcia, concelho da Guarda, que aos 34 anos, conta com um curso de nível quatro tirado na Escola de Hotelaria do Fundão e passagens pelas cozinhas de alguns dos hotéis mais conhecidos da região.

“Procuro criar os meus próprios pratos, aproveitando o gosto pela cozinha que herdei da minha avó e da minha mãe, ambas cozinheiras”, explica. Como pratos distintivos, Luís Gonçalves fala no “borreguinho grelhado” e o tornedó de vitela com queijo Serra da Estrela. “Este último é um prato dirigido aos apreciadores de queijo Serra da Estrela, porque estamos a falar de um ingrediente que possui um sabor forte e que se intensifica quando vai ao forno. Ambos têm sido muito bem recebidos. O borreguinho, então, tem recebido os mais rasgados elogios”, conta, salientando que a região “tem uma riqueza gastronómica extraordinária”. Tudo isto, assegura, acompanhado por vinhos da região.

Mas o restaurante faculta também outros pratos comuns, embora com um leve toque particular que “os torna mais saborosos”. “E é tudo feito na hora”, insiste Luís Gonçalves que não se esquece de recomendar, como sobremesa, o queijo Serra da Estrela, acompanhado de uma compota de abobora feita na hora. Ou, em alternativa, outra das suas especialidades: o pastel de amêndoa caseiro, com gelado. “Algo único”, refere.

O ambiente do restaurante tentou absorver a beleza e tranquilidade do rio Mondego que corre a poucas dezenas de metros daquele espaço. Por isso, a decoração procurou recriar em madeira uma galeria ripícola, ou seja, o alinhamento das árvores e arbustos ao longo das margens do Mondego. “É algo que marca a paisagem ribeirinha e que é uma verdadeira auto-estrada de vida e como temos o rio aqui ao lado, e até dá o nome ao estabelecimento, foi uma aposta que fizemos e que, na minha modesta opinião, deu resultado. Ficou um ambiente acolhedor e tranquilizante”, explica Paulo Caetano que considera o Varanda do Mondego um local imperdível para aqueles que desejam explorar e saborear os tesouros gastronómicos da Serra da Estrela. “É mais do que um restaurante, é uma celebração da riqueza e da autenticidade da cozinha regional”, sublinha. A ambição deste empresário, de resto, parece não ter limites: “O nosso objectivo é ganhar uma estrela Michelin. Pode demorar um dois ou três anos, mas vamos conseguir”, conclui.

 

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