Correio da Beira Serra

“Varinhas Mágicas…” Autor: André Duarte Feiteira

À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

A política é várias vezes descrita pela generalidade das pessoas como algo enfadonho, inerte e demasiado formal. Apesar de reconhecer que múltiplas vezes o é, também reconheço que é imprescindível num sistema democrático, e, apesar de ter que ser levada com seriedade e muita responsabilidade, por vezes, também acaba por ter a sua pontinha de diversão, e, a um vasto número de pessoas, proporciona mais gargalhadas que filmes cómicos.

Afincadamente padeço da mesma síndrome, sem querer, dou por mim a constatar medidas, declarações e outros afins políticos, e acabo a pensar “porque razão não fazem um filme? É que a parte difícil, escrever o guião com piada, já foi feita”.

Vou, então, partilhar alguns excertos de possíveis filmes.

Recentemente, foram pagas quotas do Partido Socialista, no Distrito de Braga, a pessoas que já faleceram! Até a mim me apeteceu sair de casa e filiar-me no Partido Socialista – pelo menos sei que até morto irei continuar activo e que o partido não se esquecerá de mim!

São estes mesmos pagantes de quotas, que agora até têm simultaneamente dois patrões, que contribuem para que a comédia esteja sempre presente. Foram eles que, no mandato de José Sócrates, atiraram o País para a bancarrota, recorrendo, desta vez, à tróica, relembrando o que no passado fizeram por mais duas vezes. Os mesmos que depois, por não constituírem governo, pensam que a culpa lhes é alheia e que existem varinhas mágicas para resolver a miséria que criaram (penso que na cabeça deles só se lá vai mesmo com magia, já que, enquanto oposição, propostas e alternativas foi algo que não apresentaram).

A grande qualidade que atribuo ao Partido Socialista é a disciplina política, pois todos trabalham para o bem dessa colmeia partidária, só não se apercebem (ou não querem) que a maioria do povo até nem gosta de mel!

Até aqui, no interior de Portugal, as políticas socialistas reflectem a aprendizagem adquirida no Largo do Rato. Perto de nós, a vizinha Câmara Municipal de Seia leva, apenas, o simpático endividamento de 57 milhões de euros (a avaliar pelo aumento da dívida, quer-me parecer que devem pensar que chegando aos 100 milhões a dívida desaparece, talvez também tenham varinhas mágicas!).

Tábua e Oliveira do Hospital são semelhantes no índice de endividamento, tendo a última 7,5 milhões de dívida e a primeira 10 milhões. Por sua vez, Arganil, um pouco melhor, está com uma taxa de endividamento na ordem dos 6 milhões. O que me espanta aqui não é a proximidade que os três Concelhos têm relativamente à divida pública, mas de onde vem a dívida. No caso de Arganil, que até tem desenvolvido bastantes projetos públicos, sendo exemplos a requalificação da antiga cerâmica, o centro empresarial e tecnológico de Arganil, o parque verde e urbano sub-paço, as piscinas municipais aquecidas, entre outros, é, dos três, curiosamente, o Concelho que tem a dívida mais baixa. Relativamente a Tábua e Oliveira do Hospital, não sei como contraem dívida, já que obras públicas, que acrescentem qualidade de vida a quem por lá e por cá reside, nem sinal delas…

O que me intriga e faz pensar é: de que maneira o anterior Presidente da Câmara, Professor Mário Alves, conseguiu fazer a requalificação da zona urbana de Oliveira do Hospital, o Parque do Mandanelho (com um dos maiores palcos a nível Distrital), toda a reestruturação do Largo Ribeiro do Amaral (desde o café Central passando pelo estacionamento subterrâneo e por toda a área envolvente), estradas (bem, a nível de estradas nem é bom comparar as que temos com as que já tivemos) … tudo isto e muito mais. Será que o Professor Mário Alves também tinha varinhas mágicas?  É que pelo que vou ouvindo na rua, apesar disto, ainda deixou 2 milhões na Câmara Municipal a este executivo, dos 5 milhões que tinha contraído de empréstimo.

Lendo o que escrevi, posso concluir que, afinal, certas situações dão para rir, dignas de uma boa comédia.

Refletir sobre o que é e o que foi o nosso Concelho deveria ser uma preocupação responsável de todos. Para que fique claro, a política é o confronto de ideias e de ideais e a arte de saber governar, e eu sou e serei a favor que o dinheiro público seja gasto com a causa pública. Mas caso se verifique que o desenvolvimento de um Concelho passa por festas consecutivas, pela popularidade conjunta e pelas inaugurações do faz de conta, então, as minhas palavras serão, também, motivo para um filme de comédia.

Como não temos varinhas mágicas para profetizar o futuro, posso dar sempre a minha a opinião. E essa é: Eu é que não vou em banhos, nem acredito em varinhas mágicas! Ainda assim, se as há, utilizem-nas para combater esta inércia.

Autor: André Duarte Feiteira

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