Correio da Beira Serra

Vento muda direcção de frente de incêndio em Arganil e ameaça aldeia de Mourísia

Situação é considerada preocupante pelo presidente do município, que confirma retirada de pessoas em duas povoações

Uma das frentes de incêndio activas no concelho de Arganil mudou de direcção nas últimas horas devido ao vento errático e encaminha-se para noroeste, na zona da aldeia de Mourísia, afirmou o presidente do município, Luís Paulo Costa. A alteração e intensificação do vento fez descer as chamas da zona de um parque eólico em direcção a sul, aproximando-se do município da Pampilhosa da Serra, junto às povoações de Tojo, Fórnea e Casal Fundeiro, de onde algumas pessoas foram retiradas por precaução.

Durante a madrugada e manhã desta quinta-feira, com nova rotação do vento, o fogo voltou para a cumeada da encosta de onde tinha vindo, não para a área já queimada, mas para uma zona lateral, dirigindo-se a Mourísia. Esta aldeia situa-se num dos vales encaixados da serra do Açor, paralelo ao que ardeu com intensidade na tarde de quarta-feira, quando o fogo avançou para norte, em direcção a Oliveira do Hospital, e depois para sul, na direcção da Pampilhosa da Serra.

“Os ventos, neste momento, estão a empurrar outra vez o fogo em sentido inverso, em sentido oposto (…) hoje está a ser empurrado aqui em direcção ao nosso concelho e, particularmente, à cumeada que vira para a bacia de Mourísia”, disse Luís Paulo Costa, que classificou a situação como preocupante.

O autarca destacou o “grande esforço e trabalho” dos bombeiros durante a noite, sobretudo na protecção às aldeias, apesar das constantes mudanças de direcção do vento que dificultaram o combate. Em Casal Fundeiro, algumas pessoas retiradas de casa foram para uma colectividade da aldeia vizinha de Tojo, recusando deslocar-se para mais longe, nomeadamente para Cerdeira ou Coja, onde existem áreas de apoio e acolhimento da população. Em Mourísia, seis pessoas foram também retiradas preventivamente.

Segundo dados do sistema europeu Copernicus, a área ardida desde quarta-feira na freguesia do Piódão é estimada em 5.032 hectares, valor que, segundo o presidente do município, já terá sido ultrapassado. O incêndio, com origem em Arganil, propagou-se aos municípios de Oliveira do Hospital e Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, e de Seia, no distrito da Guarda.

Pelas 13h40, a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil indicava que o incêndio de Arganil estava a ser combatido por 910 operacionais, apoiados por 298 viaturas e 11 meios aéreos.

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