Entre os vales e serranias da Beira Alta e do concelho de Oliveira do Hospital encontram-se antas, dólmens de pedra erguidos há mais de cinco mil anos, que testemunham a presença das primeiras comunidades da região e os seus rituais funerários. Estas estruturas são exemplos do megalitismo português, com câmaras sepulcrais formadas por grandes ortóstatos e lajes de cobertura, muitas vezes rodeadas por mamoas de terra. Muitas delas classificadas como monumentos nacionais.
A Anta da Pedra da Orca, no concelho de Gouveia, por exemplo, conserva a sua câmara poligonal e a laje de cobertura, evidenciando a forma como estas construções eram erguidas no Neolítico. A Anta de Curral dos Mouros, próxima de Seixo da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital, destaca-se pelo corredor de acesso, que sugere a organização do espaço interno e a importância simbólica do local. No mesmo concelho, o Dolmen do Seixo da Beira, ou Anta da Arcaínha, mantém ainda a mamoa e a disposição original das pedras, permitindo perceber com clareza a estrutura e a dimensão do monumento.
A riqueza megalítica da região estende-se ainda a outros núcleos de interesse, como o Pinheiro dos Abraços e a Anta do Fontão, em Seia, a Orca dos Padrões e a Orca da Cunha Baixa, bem como a Orca das Pramelas, em Canas de Senhorim, Nelas. A estes juntam-se o Dólmen da Orca e a Orca do Ameal, testemunhos adicionais da densidade e diversidade deste património pré-histórico.
Visitar estas antas é uma oportunidade de conhecer monumentos milenares, mergulhar na história antiga do território e apreciar as paisagens tranquilas que as rodeiam, num percurso que une cultura, arqueologia e memória.
