Correio da Beira Serra

Vizir. Autor: Fernando Roldão

Um Vizir era uma espécie de ministro ou alto funcionário que servia um rei ou governante em várias civilizações, entre elas no Mundo Islâmico, sendo o principal conselheiro de um Xá ou Califa, tendo um enorme poder administrativo, normalmente responsável pela gestão da justiça, impostos ou obras pulicas.

Se duvidas houvesse sobre o perfil do ministro da administração Interna, esta introdução explica tudo, não deixando dúvidas quanto às aspirações do mesmo, do Califa ou até do Xá que se protegem, descarada e mutuamente.

Eu, e por certo alguns milhões de portugueses, estamos incrédulos, estupefactos , com a situação da política em Portugal, onde aparentemente vale tudo para perpetuar o cargo obtido por compadrio partidário ou pessoal, sendo a mentira e a falsidade, as mais comuns.

Certos Vizires aparecem de vez em quando no panorama político, deixando atrás de si um rasto de dor, sofrimento e privações que não se justificam no século XXI.

O mais grave e caricato, é que o povo, normalmente lembrado na boca destes senhores do poder, por cidadãos, deixa-se ir em histórias, tipo mil e uma noites.

As pessoas perdem o discernimento, a lógica e a inteligência, para servir estes senhores, perpetuando-os no poder, apesar de estes serem portadores de um vírus altamente letal para a saúde dos povos : a corrupção.

As histórias que contam, as afirmações teatrais que proferem, têm como finalidade, anestesiar, para de seguida nos extrair, não o dente, mas o dinheiro, bem como as liberdades, tão preciosas para uma vida digna dos seres humanos.

Aquilo a que estamos a assistir em Portugal é digno de um verdadeiro conto de terror, de cariz omnipotente e ditatorial, onde a razão e os direitos dos cidadãos são atropelados diariamente.

Fiz um vídeo sobre o comportamento do ministro da administração interna, que teve até hoje, cerca de 50 mil visualizações, o que é uma prova, que o comum dos mortais está a ficar cada vez mais alerta e atento ao que se passa na sua terra.

Os espectáculos degradantes a que temos assistido nestes últimos 2 meses, só são possíveis, devido à longa lavagem cerebral que tem sido efectuada às cabecinhas, pouco pensadoras do Zé Povinho e suas famílias.

Um atropelo constante das normas e leis que regulamentam a vida em sociedade, um desrespeito pelas instituições e o mais grave, é arvorarem-se em deuses na terra, explicando alto e bom som, que as leis existem só para serem cumpridas por nós.

Sempre me ensinaram de que o exemplo vem de cima e o que se passa é algo de grotesco.

Se não fosse grave, seria patético e digno de piadas de “stand up comedy”.

Só um regime ditatorial, oligarca e arrogante, pode dar-se ao luxo de não cumprir as leis, de tornear as responsabilidades, com uma verdadeira atitude de desprezo por quem lhes paga os vencimentos e em muitos casos, apoiados por gente ingénua, desprovida de conhecimentos.

Um malfeitor foge sempre às autoridades, evitando ser confrontado e questionado sobre as suas atitudes, tendo, contudo, plena consciência dos seus ilícitos actos.

Detentores de cargos públicos e sobretudo no topo da hierarquia, devem dar o exemplo, pôr em prática a moralidade e serem transparentes nos seus actos perante os que representam.

O povo diz na sua empírica sabedoria, que quem não deve não teme.

Está na altura de por em prática esta máxima, sob pena dos lesados se fartarem das trafulhices e tomarem as atitudes convenientes, para estancar esta hemorragia de ilegalidades, verdadeiras epidemias de viroses altamente perigosas para a nossa sobrevivência.

Sinto-me humilhado, enquanto cidadão cumpridor, ao assistir a este desfile de irresponsabilidades, que nos colocam num patamar onde os nossos direitos são papel higiénico e nada mais do que isso.

O senhor ministros e os outros senhores ministros, têm que responder às perguntas que fazemos, pois temos o direito de ter respostas e caso estas não surjam, o banco dos réus será o único sítio onde os prevaricadores se poderão sentar.

O mais espantoso disto tudo é que os silêncios e cumplicidades dizem tudo sobre o carácter dos actuais dirigentes do nosso país.

Portugal é dos portugueses e como tal exigimos transparência na vossa actuação.

O país é nosso. Nós é que pagamos para que ele exista, daí querermos saber conde anda o nosso dinheiro, sobretudo que cumpram as leis, para evitar o caos e as consequências, sempre maléficas deste estado de coisas, pois democracia é isto mesmo.

Direitos e deveres iguais para todos.

Quem não defende o que é seu, não merece o que tem.

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

Exit mobile version