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25 de Novembro. Autor: João Duarte

Há 49 anos atrás, o povo e as forças armadas puseram fim ao radicalismo desmedido da esquerda nacional, que visava mudar o sinal ao que tanto criticou e instaurar a sua própria ditadura. Hoje, cabe-nos continuar esse legado e assegurar que os intentos dos discípulos (por vezes ainda mais radicais) dessa ala, que contava com organizações terroristas e militantes de partidos que ainda hoje fazem parte activa da nossa esfera democrática, uns já existindo, como o PCP, outros vindo a nascer depois financiados e idealizados pelos mesmos ideólogos do desastre do PREC, como o BE.

Hoje é vendida a ideia de que em Portugal só há extremos à direita, quando a mais pura verdade é que os verdadeiros extremos e desafios à democracia se encontram à esquerda, hoje maquilhados, mas não escondidos, porque o povo não se esquece e esse é o maior património que o 25 de Novembro nos deixa, a pele de cordeiro caiu e os lobos foram expostos.

Temos várias missões por cumprir nos 49 anos de liberdade, desde logo, renovar os laços de amizade e camaradagem com quem abandonamos em 1974. Ainda agora, enquanto vos escrevo, estamos a ter um belo exemplo em Moçambique do que a descolonização forçada fez aos nossos irmãos. E é em casos destes que Portugal deve mostrar a sua maturidade e o seu sentimento perante os nossos antigos povos ultramarinos, cabe a Portugal mediar as conversações de paz em Moçambique e mostrar que, realmente, o que se quis fazer há 49 anos está a ser cumprido e que Portugal sabe que tem, antes da Europa ou de qualquer entidade de berço ocidental, responsabilidades e presença no Mundo daqueles que têm um tronco social verdadeiramente em comum connosco, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, os que falam a nossa língua e que têm o nosso sangue.

Se queremos realmente celebrar estas datas, temos de as fazer cumprir no dia a dia. Portugal é muito mais que um pequeno rectângulo na ponta ocidental da Europa, Portugal é o exemplo de expansão cultural, aculturação e desenvolvimento de povos e culturas sob os mesmo princípios em todos os continentes e em quase todas as geografias do mundo.

Este trabalho é tão mais relevante quando olhamos ao que vai acontecendo nos dias de hoje, quando o País mais importante e com mais recursos do Mundo, tenta fazer de polícia política e falha redondamente, porque lhes falha a base que nós sempre tivemos e soubemos passar ao longo dos últimos 600 anos, Cultura.

Com isto e em jeito de conclusão, digo que para o 25 de Novembro e Portugal se cumprirem, falta olharmos para a nossa nação soberana e realmente voltarmos a ser nós, os Portugueses, a tomarmos conta das vontades próprias dela, quer seja com os Portugueses que vivem em Portugal, quer seja com a diáspora Portuguesa no Mundo, quer seja com as comunidades que falam a nossa bela Língua.

 

 

 

Autor: João Duarte, ex-presidente e actual secretário geral da concelhia do CDS-PP

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