Em primeiro lugar, gostaria de relembrar aos mais esquecidos que apesar de “Carnaval” terminar em “al”, não tem nada a ver com Natal! Pronto, estamos entendidos? Vamos avançar.
Indo directo às prendas. Não posso deixar, sendo Natal, de abrir os dois últimos embrulhos fornecidos pela política do nosso executivo municipal, já que, só no Carnaval é que ninguém leva a mal.
A primeira prenda vou apelidar de “prenda social”. Só pode ser chamada assim. Como é que um executivo que gasta milhares de euros por ano em auto-promoção, que apresenta ano após ano prejuízos avultados para os cofres camarários em eventos próprios, e que tem, como única estratégia, a criação de mais eventos, pode vir falar de solidariedade? É que recentemente, em reunião de câmara pública, foi aprovada a disponibilização imediata de uma verba (verba essa que já tinha sido ratificada há largo tempo, mas que apenas seria paga contra a apresentação dos recibos) para uma família do nosso concelho que se encontra em dificuldades devido a problemas de saúde de uma criança. A atitude, em si, é meritória e louvável. A forma como foi tratada pelo executivo é, a meu ver, reprovável e censurável. Aquilo que poderia e deveria ser tratado com total discrição, até para salvaguardar a privacidade dos intervenientes, acabou mediatizada. Numa reunião pública de Câmara quando deveria ter acontecido numa outra circunscrita apenas aos vereadores. Foi, no meu entender, uma forma politicamente tacanha e boçal do presidente da câmara auto-promover a sua alegada faceta de político de causas solidárias. Desculpem, não aceito esta prenda social. Há assuntos em que podemos e devemos ajudar. Como é o caso. Mas com as devidas reservas.
Quanto à segunda prenda, convém recapitular, “só no Carnaval é que ninguém leva a mal”.
Senhor presidente, perante os Oliveirenses, diga-nos, as empresas de telecomunicações são ou não são uma alavanca para o desenvolvimento de Oliveira do Hospital? É que eu já nem sei no que devo acreditar. Mas esclareça-me! No dia 14 de Dezembro, li neste jornal, a seguinte noticia: «A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital celebrou ontem um contrato no valor de cerca de 150 mil euros para as obras que vão alterar e adaptar as instalações do Mercado Municipal de Oliveira do Hospital ao pleno funcionamento do Call Center da Altice». Perante tal notícia, quase que podia concluir que havia uma boa relação entre a Câmara Municipal e a empresa de telecomunicações Altice. Qual não é o meu espanto, quando, na última reunião de câmara, o senhor presidente, referindo-se às operadoras de telecomunicações, disse: “defronto-me com pessoas que pagam contas de 50 e 70 euros, que pagam 1200 e 1400 euros e quando dão conta estão-lhes a penhorar a casa e o que têm dentro de casa. Isto é uma vergonha, isto é a maior vergonha que existe”. Vamos lá perceber, se estas empresas são a maior vergonha que existe, vamos trazê-las para o nosso concelho? Mas o senhor presidente vai mais longe e acaba mesmo por explicar o motivo que leva a que estas situações aconteçam “o grande défice da democracia portuguesa está na Assembleia da República, a maior profissão que lá há, se fizerem um levantamento, são advogados, muitos dos advogados que lá há fazem parte dos grandes gabinetes que defendem estas empresas, de manhã legislam para a parte pública, à tarde estão ao serviço dos grandes grupos”.
No meio disto tudo, fiquei sem perceber se a empresa de telecomunicações que já se fixou no nosso Concelho é para continuar a ser incentivada e como será com processos semelhantes no futuro. Mas não se perde tudo, descobri, através do senhor presidente, que a maioria dos Deputados da Assembleia da República, para além de pertencerem ao PS, BE, CDU…também são maioritariamente advogados e trabalham para a MEO, NOS e VODAFONE em part-time!
Há coisas que temos mesmo que levar a mal, até quando se trata, como neste caso, de prendas natal!
Um Bom Natal para Todos
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