O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital acusou ontem durante a Assembleia Municipal o PSD de estar a formar uma força que permita trazer de novo ao concelho aquilo que classificou como uma ditadura, alegadamente protagonizada pelo seu antecessor. O autarca, sem nunca referir o nome, dirigia-se aparentemente a Mário Alves que supostamente aponta como mentor da actual candidatura social-democrata às eleições de 1 de Outubro. Palavras que foram condenadas de imediato pelo eleito do PSD Rafael Costa.
“Assisto agora aqui que alguns deputados eleitos pelo PSD foram contra esse poder e que hoje juntam-se novamente como se fosse possível apagar a ditadura que houve sobre os presidentes de juntas de Freguesia ou das próprias associações. É esse é o ambiente que o PSD de Oliveira do Hospital tenta a todo o custo reabilitar com um mentor que é um homem do passado. Como se houvesse um pacto para que o concelho volte aos tempos dessa ditadura”, referiu o autarca, para quem o seu mandato fica marcado “de forma indelével” pelo objectivo de ajudar as pessoas.
“Esse foi o maior contributo entre um poder que existiu e que achava que o concelho era dele. São realmente grandes diferenças”, continuou, acusando ainda o seu antecessor de ter responsabilidades nos problemas que o concelho ainda enfrenta. “Depois de governarmos em tempos de vacas magras, outros há que tiveram à sua disposição, mas por inércia e por preguiça aguda nada conquistou para o nosso concelho. Hoje Oliveira do Hospital é um concelho de modernidade, com qualidade de vida e onde as pessoas gostam de viver”.
Sublinhando que “é um orgulho ver o prestígio que Oliveira do Hospital conquistou fora de portas”, nos seus mandatos, José Carlos considerou que a acção do seu antecessor fez com que o concelho se tivesse atrasado. “Porque o poder de um homem só que achava que o concelho era dele fez com que ficássemos trás irremediavelmente em muitas áreas. Nas vias de comunicação ainda hoje pagamos devido à conflitualidade do poder absoluto que tivemos aqui que não soube ou quis fazer com que este concelho ganhasse força negocial e fosse ouvido em Lisboa”, destacou, antes de rematar que esses tempos não voltarão. “Agora é tempo do progresso imparável, da transparência e do diálogo”, rematou.
As palavras não agradaram ao eleito social-democrata, Rafael Costa, que classificou aquela linguagem imprópria para uma Assembleia Municipal, frisando ainda que o executivo de José Carlos Alexandrino chegou a recrutar para sua equipa um elemento eleito pelo PSD. “O anterior executivo era tão bom ou tão mau que foram lá contratar um vereador do PSD”, defendeu Rafael Costa, fazendo ver ainda a José Carlos Alexandrino que não se pode referir a um jornal do concelho que dá algumas notícias que não lhe agradam como “pasquim”. “De qualquer maneira esse passado já foi julgado nas urnas, já lá vão oito anos, portanto, já vai sendo tempo de se preocupar mais com o presente e futuro do que com o passado”, sublinhou o social-democrata. O dito ‘mentor’ não passa de uma das ilusões do Sr. presidente que só vem confirmar que continua a sonhar com o seu antecessor. Devia deixar essa narrativa e começar a debater ideias e projectos com o seu adversário politico do PSD, João Paulo Albuquerque.
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