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Arganil diz “adeus” à Eptoliva

 

… do município da Adeptoliva – Associação para o Desenvolvimento do Ensino Profissional nos concelhos de Tábua, Oliveira do Hospital e Arganil.

A Adeptoliva vai passar a estar afeta a apenas dois municípios. A entidade que gere a até aqui designada Escola Profissional de Oliveira do Hospital, Tábua e Arganil – Eptoliva, vai deixar de contar com o município de Arganil que, desde 1997, fazia parte da estrutura que, em Tábua e Oliveira do Hospital já conta com 20 anos de atividade.

A saída do município de Arganil da Adeptoliva resulta da decisão tomada no passado dia 11 de abril pelo executivo arganilense, tomando por base o historial de atividade do pólo da Eptoliva localizado naquele concelho.

“O nosso pólo há três anos que não tem qualquer curso e, mesmo assim, a Câmara tem pago a quota mensal de mil Euros”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Arganil ao correiodabeiraserra.com, notando que por ano, está em causa um custo de “12 mil Euros sem qualquer retorno em termos de formação”.

Para esta tomada de decisão, Ricardo Pereira Alves garante ter levado em linha de conta os resultados de uma análise que foi feita à situação e que dá como certa a reduzida adesão de alunos, fruto também da “nova dinâmica demográfica” e “decisões governativas” que permitiram a entrada do ensino profissional na esfera das escolas secundárias.

A este diário digital, o autarca eleito pelo PSD refere que o pólo de Arganil tem, ao longo dos últimos seis anos candidatado a abertura de novos cursos direcionados para as exigências das empresas locais, mas os mesmos nunca chegaram a reunir um número de alunos necessário para o seu funcionamento. O ano de 2006 foi o último ano em que o pólo de Arganil da Eptoliva recebeu novos alunos, que ali concluíram a formação profissional até 2009. Desde aquela data, a Eptoliva de Arganil tem estado inativa. Uma realidade que, Pereira Alves, garante não ser exclusiva de Arganil, notando que no presente ano letivo também o pólo de Tábua não teve condições para abrir uma nova turma.

Na hora de justificar a saída de Arganil da Adeptoliva, Pereira Alves invoca ainda a existência naquele concelho de “entidades sólidas e vocacionadas para o ensino profissional de qualidade”. O autarca refere-se em concreto à Escola Secundária que – como também explica em comunicado – está “fortemente apostada em dar resposta às reais necessidades das empresas com instalações adequadas e corpo docente habilitado” e ao Centro de Formação Profissional de Arganil “cujo papel é absolutamente determinante para a dinâmica do território”.

De despedida do projeto Eptoliva, Pereira Alves realça também a falta de condições das instalações do pólo de Arganil que apenas “permitem formação do tipo “papel e lápis” e que “é pouco compatível com um ensino profissional que se quer orientado para as necessidades do mundo empresarial”.

Adeptoliva preocupada com redução do número de alunos

Sujeita ao parecer final da Assembleia Municipal de Arganil, a decisão tomada pelo executivo municipal no dia 11 de abil não surpreendeu o presidente da Adeptoliva que, tomando por base as recentes participações do município de Arganil em reuniões dos corpos sociais da Associação, até já esperava por este desfecho.

Ainda que, até ao momento, não tenho obtido comunicação oficial do município de Arganil a propósito da decisão de demissão, Artur Abreu confirmou a este diário digital a reduzida procura a que a o pólo de Arganil esteve sujeito nos últimos anos, e que impediu a abertura de cursos naquele pólo, onde já foram lecionados vários cursos nas áreas de turismo, serviços comerciais, sistemas informáticos, gestão de produção, entre outros. Uma realidade que a Adeptoliva tentou contornar com um novo curso técnico de Sistemas de Informação Geográfica, mas que “não obteve adesão”.

A redução do número de alunos, a par do aumento da oferta formativa por parte das escolas secundárias são entendidas pelo presidente da Adeptoliva como fatores determinantes para a situação atual, mas que aquela entidade tem tentado ultrapassar. “Para o ano vamos ter oferta formativa inovadora”, contou Artur Abreu, revelando que na escola sede, em Oliveira do Hospital, vão abrir os cursos de técnico de proteção civil e técnico de apoio à gestão desportiva. No pólo de Tábua, a Eptoliva conta a abrir o curso técnico de auxiliar de saúde.

Para além destas respostas, o responsável máximo da Eptoliva nota o empenho da escola em diversificar o seu campo de atuação, abrangendo já a formação de ativos e nas empresas. “Estamos a dar passos pequenos, mas seguros nestas áreas”, referiu Artur Abreu, destacando igualmente os cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA), pese embora o impasse decorrente das avaliações das candidaturas aos apoios comunitários. “Continuamos à espera dos resultados de candidaturas que fizemos em 2011”, referiu.

A presidir a uma estrutura que, em Oliveira do Hospital conta com duas décadas de atividade ininterrupta, marcadas pela admissão de novos alunos em cada ano, Artur Abreu não deixa de considerar que o atual momento “é preocupante”. Razão pela qual – garante o responsável – a Eptoliva quer romper fronteiras e chegar a toda a região. A abertura de um pólo da Eptoliva em Góis já fez parte dos objetivos da Adeptoliva, em resposta ao repto que tinha sido lançado pelo próprio executivo municipal de Góis. Uma ambição que não chega, porém, a ter aplicação prática com Direção Regional de Educação do Centro a não dar luz verde, tomando por base o reduzido número de alunos naquele concelho.

O arranque da Eptoliva em Oliveira do Hospital e Tábua remonta ao ano de 1991. A adesão do município agora demissionário, Arganil, só veio a acontecer em 1997. Atualmente a escola é frequentada, em Oliveira do Hospital e Tábua por uma centena e meia de alunos.

PS de Arganil encara Eptoliva como “importante projeto de âmbito regional” e reprova encerramento

À semelhança daquela que já tinha sido a postura de discordância manifestada na reunião de 11 de abril pelo vereador socialista Miguel Ventura, a Comissão Política Concelhia do PS de Arganil também já veio a público condenar a decisão “tomada unilateralmente” pela Câmara arganilense, ao “faltar ao princípio da solidariedade para com os restantes associados”.

Num comunicado, o PS de Arganil recua aos últimos anos da presença da Eptoliva naquele município para constatar que a presente decisão “não é estranha, nem constitui surpresa”. “Foi uma vontade decorrente da atitude do executivo municipal de descapitalização do Pólo de Arganil desde 2006, a qual se iniciou com a ausência de coordenador, com a saída dos recursos humanos e da falta de interesse em criar novos cursos”, refere a estrutura concelhia do partido que chega a verificar que “o encerramento do Pólo de Arganil da Eptoliva se constituiu numa prioridade na estratégia do PSD”.

Para o PS de Arganil “a Eptoliva é um importante projeto de âmbito regional, com resultados muito positivos” e dos quais são demonstrativos “os índices de empregabilidade dos formandos”. Manifestamente contra a saída do município da Adeptoliva e em jeito de ironia, o PS espera que o “vírus que está a afectar o governo do PSD, o qual está a conduzir ao abandono das regiões do interior do país, não esteja a contagiar o executivo municipal de Arganil”.

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