O advogado António Manuel Arnaut anunciou ontem, em comunicado, a “suspensão” da sua candidatura à liderança da Federação Distrital de Coimbra do PS, requerendo em simultâneo à Comissão Nacional de Jurisdição do partido que suspenda o processo eleitoral, por considerar que este foi “viciado” para garantir uma nova vitória ao seu adversário, Pedro Coimbra, nas eleições do próximo dia 21. “Suspendo imediatamente a minha candidatura não só à Presidência da Federação, como também quanto à apresentação de listas ao seu congresso. Cabe agora aos Órgãos Nacionais a última palavra”, conclui António Manuel Arnaut.
O advogado (filho do histórico socialista António Arnaut, responsável pelo diploma legal que instituiu o Serviço Nacional de Saúde) defende que “o processo eleitoral para as eleições federativas de Coimbra encontra-se viciado, não garantindo as mínimas condições de legalidade e transparência, tratando de forma desigual as candidaturas existentes” argumentou ainda o ex-candidato, sublinhando que não pode pactuar “ou dar legitimidade a um acto” que considera “indigno e ilegítimo”.
O problema prende-se, em grande parte, com a Comissão Organizadora do Congresso (COC), que organiza e fiscaliza o processo eleitoral. A COC é a mesma que estava constituída antes de o Secretariado Nacional do PS, em reacção a um despacho do Ministério Público que deu por provada a falsificação massiva de fichas de filiação de militantes, ter decidido suspender 18 elementos do partido e adiado as eleições em Coimbra.
António Manuel Arnaut acusa ainda os Órgãos Federativos e Nacionais do Partido Socialista de não terem respondido às denúncias que foi realizando a partir do momento em que se apresentou como candidato. “Desde logo apresentei a minha candidatura a Presidente da Federação sob protesto, tendo, de seguida, impugnado a Comissão Organizadora do Congresso, pela circunstância de não ter qualquer legitimidade por não ter sido eleita pelo órgão próprio”, conta sublinhando que desta “impugnação, e de outras apresentadas”, não obteve, “até ao momento, qualquer resposta dos órgãos competentes”.
“Apresentei-me a candidato a Presidente da Federação de Coimbra do PS exactamente para combater o “satus quo” reinante, unir o Partido e reabilitá-lo na sua imagem e dignidade, duramente afectadas com os recentes acontecimentos. No decorrer da campanha fui entendendo as mensagens que me foram chegando pelos militantes e dirigentes distritais quanto à sua saturação no que respeita ao ambiente interno do PS, tendo igualmente constatado que se não encontravam reunidas as condições mínimas para umas eleições democráticas, transparentes e isentas, onde os militantes socialistas pudessem exercer em liberdade e consciência o seu direito de voto”, nota.
“Não sou de desistir das empresas a que me abalanço, mas também não posso permitir que dentro do meu próprio partido, cuja linha principal é a luta pela liberdade, tolerância, democracia, isenção e transparência da vida politica, se subvertam tais valores com interpretações enviesadas das decisões legitimamente tomadas”, concluiu.
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