Muito se falou das eleições autárquicas, mas, no momento actual, poucos parecem assumir responsabilidades.
Ainda há poucos anos, após algumas eleições locais, eram retiradas as devidas ilações. Os que ganhavam fortaleciam as suas comissões políticas ou grupos de apoio. Os que perdiam, abandonavam os seus lugares e entregavam a liderança a novos protagonistas, preparando o caminho para futuros projectos.
Hoje, tudo é diferente. No final da contagem dos votos, todos se apresentam como vencedores. Uns porque tiveram mais um voto numa urna do que na eleição anterior, outros porque se elegeram para a Assembleia Municipal, onde nunca tinham representação, outros porque perderam por pouco para a Câmara Municipal. Há ainda aqueles que não elegeram ninguém, mas se consideram vencedores apenas por terem concorrido.
No entanto, o que deveria realmente ser entendido pelos actores políticos é a mensagem da votação: o desejo da população. Se quer mudança, se aprova o estado das coisas ou se se encontra revoltada. No mundo de hoje, tudo deixou de ser perceptível. O que é verdade hoje, amanhã pode ser mentira. E o que é mentira hoje, amanhã pode tornar-se verdade.
De facto, não existe coerência nos candidatos nem nos partidos, que ora se colocam à esquerda, ora à direita. Muitos nem sequer sabem que ideologia defendem ou deveriam defender. Estamos perante um retrocesso político. É urgente repensar como devem ser estas eleições, que não deveriam ter partidos, mas sim pessoas; não deveriam ter protagonistas, mas soluções.
Autor: Nuno Tavares Pereira
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