Voltamos a estas paisagens que foram genuínas em beleza natural. Deus ou a Natureza foram generosos por ali. Entretanto, alguns homens, designadamente mestres pedreiros, foram artistas a sério e souberam construir, harmoniosa, aquela parede alta e forte em granito – o “Açude da Ribeira” – para acumularem (muita) água para rega que não é de nosso conhecimento ter havido moinhos hidráulicos por ali.
Porém, muito recentemente, alguns outros homens nossos conhecidos revelaram-se extravagantes… Esbanjam dinheiro e recursos naturais públicos, logo de todos nós e ainda que incidam na “Quinta da Ribeira”.
Eis pois o que conseguiram fazer no “Açude da Ribeira”, no Rio Seia, a Sul de Ervedal da Beira e a Poente de Lagares. Com acesso por um estradão (arranjado) que sai da EN 230, próximo a Ervedal. Sim, faço publicidade…mas não da enganosa…
Ora, através da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital engendraram um projecto para instalar/ enxertar lá mesmo, contranatura, um “passadiço”, supostamente panorâmico, em metal, suportado por grandes pilares em betão, que se torce e retorce de uma margem para a outra do Seia. Ao fim e ao cabo, é um “artefato” tamanho industrial que vai custar na ordem de 500 mil euros em dinheiro público! E depois de várias “derrapagens” de prazos e preços de instalação, está prestes a ser inaugurado…
O “Passadiço” do Açude da Ribeira é uma obra excessiva e mesmo desnecessária.
O “Passadiço”, tal como ficou, é um “corpo estranho”. É mesmo um “obstáculo visual” para quem quiser ver toda a queda da água, logo a jusante do Açude, uns 40 metros depois e de frente para este…
Este “Açude” vai até sofrer de “publicidade enganosa” pois durante metade do ano não cai água do alto da parede do Açude. No Verão e Outono, vamos assistir às visitas das Pessoas que lá acorram motivadas pelas fotos e pelos filmes propagandeados onde a água cai em bela cortina a toda a altura e largura do Açude que é alto e largo. Só que, nessa época do ano, não haverá água a cair pelo que se vai inverter o “filme”:- as Pessoas vão a pé para o meio da parede do Açude a tirar fotos e a filmar quem estiver em cima do “Passadiço”. Portanto e de facto, o passadiço central será a parede do Açude e não o propriamente dito….
Voltámos lá, a ver as obras, a 14 de Fevereiro. Se lá tivéssemos ido no fim-de-semana anterior, teríamos constatado mais um caso de carga poluente (espuma branca) na água do Rio Seia…
Há “pontos” naturais de observação do Rio Seia e do Açude a partir das penedias superiores das margens, sobretudo da margem direita, ali, onde o lado da parede do Açude se firma. “Pontos” que podiam ter sido adaptados a “miradouros”, inclusive com maior amplitude de vistas para cima do Açude, para o “espelho de água” em que o Rio Seia se transformou e que não é visível desde o “Passadiço” quando este afronta o meio do Rio, de frente para o Açude, onde atinge uma cota mais baixa.
Aliás, por aí mesmo, lá em cima dos penedos, agora até instalaram uns bancos de assento (junto ao “Passadiço”) de onde é muito abrangente a vista sobre a queda da água do Açude e sobre o “espelho de água” a montante.
Portanto, sim, dá para pensar e para concluir. Reafirmamos que, quanto a nós, e não estamos a falar de gostos meramente estéticos, o “Passadiço”, tal como foi instalado, é uma “extravagância” prejudicial para além de ser cara.
Caso a Câmara Municipal tivesse tido o cuidado de, previamente, ouvir opiniões de outras Entidades e dos Cidadãos mais interessados – por exemplo, através da exibição de maqueta a três dimensões – poderia ter evitado a “extravagância” prejudicial que, afinal, todos nós pagamos e de uma ou de outra formas.
Como fazer reverter a situação à sua harmonia anterior e naturalmente bela?…
Fevereiro de 2023
(cidadão contribuinte que “já foi feliz” no Açude da Ribeira quando não havia nem se pensava em Passadiços…)
Autor: Autor: João Dinis, Jano
