Home - Opinião - “Bilhete Postal” desde o Açude da Ribeira – Rio Seia – Cordinha. Autor: João Dinis, Jano
"Açude da Ribeira e Passadiço. Em primeiro plano, bancos de assento agora instalados sobre a margem direita do Rio Seia, proporcionam "miradouro" simplificado sobre o Açude e sobre o "espelho de água" a montante. Sim, tal como ficou, o "passadiço" é uma "extravagância" prejudicial e cara !".

“Bilhete Postal” desde o Açude da Ribeira – Rio Seia – Cordinha. Autor: João Dinis, Jano

Voltamos a estas paisagens que foram genuínas em beleza natural.  Deus ou a Natureza foram generosos por ali.  Entretanto, alguns homens, designadamente mestres pedreiros, foram artistas a sério e souberam construir, harmoniosa, aquela parede alta e forte em granito – o “Açude da Ribeira” – para acumularem (muita) água para rega que não é de nosso conhecimento ter havido moinhos hidráulicos por ali.

Porém, muito recentemente, alguns outros homens nossos conhecidos revelaram-se extravagantes… Esbanjam dinheiro e recursos naturais públicos, logo de todos nós e ainda que incidam na “Quinta da Ribeira”.

Eis pois o que conseguiram fazer no “Açude da Ribeira”, no Rio Seia, a Sul de Ervedal da Beira e a Poente de Lagares. Com acesso por um estradão (arranjado) que sai da EN 230, próximo a Ervedal.  Sim, faço publicidade…mas não da enganosa…

Ora, através da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital engendraram um projecto para instalar/ enxertar lá mesmo, contranatura, um “passadiço”, supostamente panorâmico, em metal, suportado por grandes pilares em betão, que se torce e retorce de uma margem para a outra do Seia.  Ao fim e ao cabo, é um “artefato” tamanho industrial que vai custar na ordem de 500 mil euros em dinheiro público!  E depois de várias “derrapagens” de prazos e preços de instalação, está prestes a ser inaugurado…

O “Passadiço” do Açude da Ribeira é uma obra excessiva e mesmo desnecessária.

O “Passadiço”, tal como ficou, é um “corpo estranho”.  É mesmo um “obstáculo visual” para quem quiser ver toda a queda da água, logo a jusante do Açude, uns 40 metros depois e de frente para este…

Este “Açude” vai até sofrer de “publicidade enganosa” pois durante metade do ano não cai água do alto da parede do Açude.  No Verão e Outono, vamos assistir às visitas das Pessoas que lá acorram motivadas pelas fotos e pelos filmes propagandeados onde a água cai em bela cortina a toda a altura e largura do Açude que é alto e largo. Só que, nessa época do ano, não haverá água a cair pelo que se vai inverter o “filme”:- as Pessoas vão a pé  para o meio da parede do Açude a tirar fotos e a filmar quem estiver em cima do “Passadiço”.  Portanto e de facto, o passadiço central será a parede do Açude e não o propriamente dito….

Voltámos lá, a ver as obras, a 14 de Fevereiro.  Se lá tivéssemos ido no fim-de-semana anterior, teríamos constatado mais um caso de carga poluente (espuma branca) na água do Rio Seia…

Há “pontos” naturais de observação do Rio Seia e do Açude a partir das penedias superiores das margens, sobretudo da margem direita, ali, onde o lado da parede do Açude se firma.  “Pontos” que podiam ter sido adaptados a “miradouros”, inclusive com maior amplitude de vistas para cima do Açude, para o “espelho de água” em que o Rio Seia se transformou e que não é visível desde o “Passadiço” quando este afronta o meio do Rio, de frente para o Açude, onde atinge uma cota mais baixa.

Aliás, por aí mesmo, lá em cima dos penedos, agora até instalaram uns bancos de assento (junto ao “Passadiço”) de onde é muito abrangente a vista sobre a queda da água do Açude e sobre o “espelho de água” a montante.

Portanto, sim, dá para pensar e para concluir.  Reafirmamos que, quanto a nós, e não estamos a falar de gostos meramente estéticos, o “Passadiço”, tal como foi instalado, é uma “extravagância” prejudicial para além de ser cara.

Caso a Câmara Municipal tivesse tido o cuidado de, previamente, ouvir opiniões de outras Entidades e dos Cidadãos mais interessados – por exemplo, através da exibição de maqueta a três dimensões –  poderia ter evitado a “extravagância” prejudicial que, afinal, todos nós pagamos e de uma ou de outra formas.

Como fazer reverter a situação à sua harmonia anterior e naturalmente bela?…

Fevereiro de 2023

(cidadão contribuinte que “já foi feliz” no Açude da Ribeira quando não havia nem se pensava em Passadiços…)

 

 

 

Autor: Autor: João Dinis, Jano

LEIA TAMBÉM

“Afinal havia outra”… Havia outra zona para as fotovoltaicas da “Fábrica Godzila”… Autor: João Dinis  

Lembremos que, o ano passado, veio a público a intenção do grupo SONAE/ARAUCO em instalar …

Girabolhos não salva o Mondego: é hora de pensar no território, não na energia. Autor: Nuno Pereira

Não existem registos que nos possam acalmar relativamente às cheias do Baixo Mondego. Mas existem …