Não surtiram efeito os dois últimos ofícios enviados pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital – o primeiro dos quais em janeiro de 2010 – à Estradas de Portugal (EP) com pedido de intervenção na EN17.
Aos documentos que se reportavam, em concreto, ao troço localizado entre Vendas de Galizes e Senhor das Almas e que solicitavam à EP a resolução de problemas que se prendiam com inexistência de passeios e de valetas inadequadas, a empresa responsável “relativizou” a preocupação do município e junta de freguesia em questão, Nogueira do Cravo, e usou mesmo o argumento da “reduzida sinistralidade” para considerar que a retificação solicitada “não é prioritária”.
Argumentos que não caíram bem junto do executivo municipal que, na última reunião pública, deliberou pelo envio de nova missiva com pedido urgente de retificação não apenas de parte, mas de todo o troço da EN17 localizado no concelho de Oliveira do Hospital.
O aumento do tráfego automóvel e em particular de pesados na conhecida Estrada da Beira, decorrente da introdução de portagens nas SCUT é um dos argumentos usados pelo município, que não tem dúvidas de que tal facto irá contribuir ainda mais para o aumento da sinistralidade e para a degradação do piso que, em alguns locais, já está muito deteriorado.
“Considerando a importância da estrada para Oliveira do Hospital e região pedimos a sua retificação”, pode ler-se no ofício que chegou a ser interpretado pelo próprio executivo como “muito macio” tendo em conta a gravidade da situação.
“A nossa estrada de acesso é esta e está toda degradada”, começou por reagir o vereador do movimento independente “Oliveira do Hospital Sempre” que até chega a compreender o argumento da reduzida sinistralidade. “Com o aumento dos buracos, os condutores circulam mais devagar e o número de acidentes diminui”, ironizou José Carlos Mendes, chegando a considerar que a EP está a “brincar com os oliveirenses”.
“Daqui a pouco tempo não há remédio, só com uma remodelação de fundo”, afirmou, por sua vez, o vice-presidente da autarquia oliveirense, José Francisco Rolo.
Também o argumento da reduzida sinistralidade não caiu bem junto do novo elemento em permanência na Câmara Municipal, Paulo Rocha, atendendo a que “em determinados troços a estrada está em muito mau estado”, dando mesmo o exemplo do troço junto à Sonae Indústria e ao Lidl.
“Devemos perguntar se estão à espera de acidentes e mortes para intervir”, reagiu o vereador do PSD. Para Mário Alves, a EP só avança com uma resposta do género por uma “razão muito simples”, já que – como explicou – está “salvaguardada com a placa a dizer estrada com mau piso”. “O desgraçado é sempre aquele que transita na via”, observou o vereador, que até chegou a colocar em causa a reunião em que o presidente da Câmara Municipal iria participar, naquela tarde, com o secretário de Estado do setor a propósito do IC6. “O que é que vai o presidente da Câmara fazer à reunião, se eles nem mandam arranjar as vias essenciais?”, questionou em tom irónico.
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