A Liga Portuguesa de Futebol (LPF), organismo que rege o futebol profissional, e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), organismo de cúpula, que concessionou a organização dos campeonatos do futebol profissional à LPF e superintende em todo o resto do futebol, desde os escalões etários mas baixos até às respetivas seleções nacionais assente numa pirâmide organizativa até as associações distritais, dizia eu, estão muito preocupados com o impacto que a nova legislação sobre imigração terá nas contratações de futebolistas extracomunitários, pois os comunitários gozam de igualdade com os portugueses.
Obviamente que esta alteração legislativa, anulando a “manifestação de interesse” declarada pelos imigrantes que vinham para Portugal, passando a exigir um contrato de trabalho, para que seja atribuída a autorização de residência e, consequentemente, poder exercer uma profissão, neste caso futebolista profissional, afeta os clubes profissionais da I e II Liga, todos eles assentes, obrigatoriamente, em sociedades desportivas (SD) e que, ao contrário dos clubes, estas podem distribuir lucros, se os gerarem. Daí o interesse dos “investidores”, muito deles de países que não Portugal.
De facto, a nova legislação sobre imigração está a gerar preocupação nas SD (a que chamamos clubes, mas são entidades juridicamente diferentes dos clubes-mãe que lhes dão o nome) portuguesas em pleno período de preparação da nova época futebolística, e, estando apreensivas, pedem uma excepção para os futebolistas e dizem que a situação tem impacto não só no futebol mas na economia ! Afirma um dirigente duma SAD da Liga I: “Temos cinco jogadores que estão contratados, já estão a ser pagos e não podem vir para Portugal, pois não têm visto e o tempo que os vistos demoram não é compatível com a nossa necessidade». E acrescenta ainda: «não tem havido uma verdadeira perceção da gravidade da situação por parte do Governo». E com o “blá, blá“ típico, ainda acrescenta: «Sendo Portugal um exportador de talento, é uma perda para o futebol e para a economia. Somos a maior porta de entrada de jogadores africanos e sul-americanos na Europa e vamos deixar de ser”. Pois é, pelas afimações deste dirigente, podemos extrapolar que o futebol profissional assenta, cada vez mais, em “negócios”, tornando o futebol já não num desporto mas um negócio. A facilidade com se contratam jogadores para as equipas que jogam em estádios vazios e SD por vezes desligadas dos clubes que lhe dão o nome. torna os campeonatos portugueses pouco aliciantes e pouco motivadores para os adeptos e se a SporTV optar pelas transmIssões televisivas dos jogos de outras ligas de maior espectacularidade, será uma dura machadada nos “clubes” portugueses . Que importa a alguns dirigentes se os jogos são feitos com os estádios quase vazios, com excepcões dos três clubes grandes, se a participação na Liga I ou na II lhes satisfazem o ego? Se fizermos uma consulta ao site da LPF, facilmente veremos que os profissionais de futebol são, maioritariamente, estrangeiros, prejudicando os portugueses que vêem tapados os acessos às competições profissionais e semi-profissionais. Clubes (SD) há, na Liga I, que num jogo apresentam, regularmente, onze jogadores estrangeiros! O futebol profissional, no nosso país, gira assim, em torno das cinco grandes SADs (Benfica, Sporting, Porto, Braga e Guimarães), quais “vacas leiteiras geradoras de receitas”, delas própria, mas também de todas as outras trinta e uma restantes “clubes” (designação entre aspas, porque não sãos clubes-mãe, mas sim SD sob a figura jurídica em SADs (Sociedades Anónimas Desportivas), em sociedade unipessoal por quotas (“SDUQ, Lda.”) e sociedade por quotas (“SDQ”). Esta é uma exigência da lei de 1997 para os clubes que pretendam participar em competições desportivas profissionais, não apenas de futebol. Muitos têm sido os exemplos de SD e mesmo alguns clubes que vão à falência e dissolvida a sociedade desportiva, o clube-mãe inicia as
Se os três grandes (SLB, SCP e FCP), por terem mais receitas, mas sempre insuficientes os leva a procurarem mais valias com os milhões que conseguem na sua “balança entre compras e vendas” dos direitos desportivos de jogadores, vulgo “compra e venda de jogadores” – como se fossem mercadorias – os pequenos recorrem a todo o tipo de malabarismos financeiros e desportivos para aspirarem a aceder e se manterem no “clube dos ricos” do panorama futebolístico e satisfazendo egos e ambições. Não olham a meios: contratam jogadores estrangeiros em elevado número, em muitas situações como “tráfico humano”, descaracterizado o “clube da terra”, cedem ações/quotas da SD a “investidores” estrangeiros, cujos capitais são de origem duvidosa. E com essa política, afinal a quem servem? Às gentes da terra? Aos jovens portugueses, cerceando-lhes a hipóteses de acesso à carreira futebolística, etc. Atentemos nos números deste “negócio” com jogadores na Liga 1: na época de 2023/24 estavam inscritos cerca de 510 futebolistas e desses só 40% eram portugueses; dos estrangeiros, de 62 nacionalidades (!), 110 eram brasileiros; por SD”, o Benfica tinha 68% de estrangeiros, o Sporting 50% e o Porto 59%, mas o Portimonense e o Arouca (78% ambos) e o Estrela da Amadora com 71% conseguiram bater o record aos três grandes. E na Liga II, aquela de estádios vazios, onde o “made in Portugal” deveria apresentar outros números, os estrangeiros eram 50% e de 51 nacionalidades (!). Mesmo nos campeonatos de outras divisões e escalões jovens, também existem muitos estrangeiros, alguns engajados num verdadeiro tráfico humano. Vão-se conhecendo exemplos muito tristes e intoleráveis, mas que os dirigentes mostram andarem distraídos. Não estará na hora dos dirigentes das SD aproveitarem este “bloqueio da lei”, como lhe chamam, para enveredarem por uma alteração da gestão das SD contribuindo para o aumento de praticantes e valorizando e aproveitando os jovens jogadores portugueses? Vai o Governo abrir uma exceção à lei da imigração, para ceder ao “lobby” do futebol? (As
P.S.- Urge esclarecer os adeptos, que, no futebol profissional, as entidades não são os clubes, mas sim sociedades desportivas (SD) que usam o nome do clube que lhes
Autor: Serafim Marques – Economista (Reformado)
