As desigualdades e a insegurança acentuaram-se com a crise do nosso sistema democrático. As diferenças entre ricos e pobres aumentaram. Os cidadãos sentiram que os políticos se preocuparam mais com os seus próprios interesses pessoais e partidários do que com a resolução dos seus problemas. O absentismo eleitoral aumentou. Os valores morais até então vigentes, foram abalados e substituídos por valores de base ética que trouxeram o populismo e a demagogia. Os políticos deixaram de ter pejo em mentir, para ganhar votos. A confiança nas Instituições democráticas, que diferenciam o sistema democrático liberal do sistema autoritário/ditatorial, esmoreceu. O radicalismo imperou, especialmente em sociedades onde a identidade nacional é mais recente, como acontece em países como os EUA, Brasil, países balcânicos ou sul-americanos.
O bem-estar de sucesso da governança democrática pós II Guerra Mundial, cimentou-se em paralelo com o colapso da URSS e a queda do colonialismo europeu.
A desilusão dos amargurados pelo descalabro da ideologia comunista que sobreviveram defendendo, de forma radical, temas fracturantes, a par de uma nova geração de políticos ambiciosa de poder e mal preparada, contribuíram para aumentar as desigualdades na Europa e no mundo Ocidental.
O poder unipolar americano, dominado por neoconservadores, resultou num Ocidente arrogante e ganancioso, onde os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres com as guerras no Iraque, Afeganistão, Síria, Primavera Árabe. Paralelamente, a globalização, as migrações, os enormes avanços tecnológicos, a par das mudanças de valores e princípios, proporcionaram o aparecimento de políticos populistas, ouvidos e seguidos por cidadãos descontentes, desligados das suas responsabilidades na defesa da democracia, dos deveres de cidadania e do objectivo da prosperidade compartilhada.
Ao mesmo tempo, assistíamos, impávidos, a outro colapso político mundial: a relação entre capitalismo e a democracia liberal.
Segundo a maioria dos observadores, o momento unipolar chegou definitivamente ao fim. Apontando para o tamanho da economia da China, muitos analistas declararam que o mundo é bipolar. Mas a maioria vai ainda mais longe, afirmando que o mundo está prestes a fazer a transição para a multipolaridade ou que até já o fez.
Deu-se um apoio cego a Trumpistas, Bolsonaristas, Orbanistas, Lulistas, Maduristas, mais por ressentimento que por coerência. Elegem-se nacionalistas religiosos e oportunistas como Modi, Putin, Erdogan, Orban,Salvini,Netanyahu, por receio de uma nova ordem mundial em mudança, após a falência do mundo bipolar vigente até aos anos 91 e do unipolar Americano.
Deseja-se um Mundo multipolar onde Modi persegue e mata os muçulmanos, Erdogam os curdos, a China os Uigures, Putin os ucranianos, Salvini e Orban perseguem migrantes, tão necessários e desejados pelas democracias liberais, Netanyahu quer estar entre as 10 maiores potências económicas do mundo, matando palestinianos. UM CAOS.
Por todo o mundo o autoritarismo parece estar em alta. Para muita gente, o sistema capitalista da China parece tentador. A Rússia, que lançou a maior guerra europeia pós II Guerra Mundial e apoiada por ex-comunistas e anticolonialistas, afirma defender “uma Rússia tradicional, que celebra a religião, a moralidade tradicional, a xenofobia e a estrita conformidade de género, dizendo-se defensora da cultura Ocidental”(sic), parece exemplo a seguir.
A ansiedade social motivada pela perda de empregos, perda do bem-estar na saúde e na educação, quebra de rendimentos, mudanças culturais, desconfiança nas Instituições, base do estado de direito, explica o CAOS onde vivemos.
O caos cria pressão. A pressão sempre cria evolução e se as Instituições falharam com as pessoas, elas têm de ser capazes de recuperar a confiança perdida, recuperando-se a segurança, alterando-se a distribuição da riqueza, fortalecendo-se os serviços sociais, investindo-se em melhores empregos recorrendo-se aos avanços tecnológicos na procura de melhor produtividade ao invés de eliminar empregos e libertando as empresas de pesados impostos, que apenas têm servido para distribuir “esmolas” pelos “menos favorecidos” contribuindo para os ricos ficarem mais ricos e os pobres mais pobres.
Resta, pois, aos cidadãos não se resignarem e saberem assumir as responsabilidades em relação à sua comunidade e instituições, saberem defender seus direitos, estarem atentos, participativos, presentes no escrutínio, não se acomodarem no egoísmo e ausência de pensamento crítico que cria ditadores e lutarem a pensarem no bem comum!
*Fundador da empresa Davion
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