Edite Cunha ainda nem consegue acreditar no estado em que, a meio da manhã de hoje, encontrou o interior do piso inferior da sua própria casa.
Ainda que o mau odor já fosse detetável no exterior do nº4 do Loteamento do Margarido, na zona traseira do Intermarché, a proprietária da habitação estava longe de imaginar que, no interior da própria casa de onde tinha saído cerca de 15 minutos antes, se encontrava uma verdadeira “imundice”.
O termo usado por Edite foi, ao início da tarde de hoje, comprovado por este diário digital que numa visita ao local se deparou com um piso – cozinha, sala, despensa, casa de banho e garagem – totalmente inundados por água de esgoto e pedaços de gordura.
O cenário degradante que começava a ser minimizado pelos proprietários que se viram obrigados a recorrer a serradura para “ensopar” a imensa gordura que grassava pelo chão, ainda era bem visível um pouco por todo o lado, tal como as imagens documentam.
Associada ao mau cheiro e à verdadeira “imundice” está também todo o prejuízo que a invasão de esgoto causou a muitos pertences – roupas, calçado, entre outros – do casal e seus dois filhos, sendo que a esta altura ainda não foram testados eletrodomésticos com ligações ao esgoto, como sendo máquinas de lavar louça e roupa.
“Abri a porta e estavam as tampas todas levantadas e tudo cheio de porcaria”, relatou Edite Cunha ao correiodabeiraserra.com, associando de imediato o problema aos trabalhos de limpeza das caixas de esgoto que, desde ontem, foram realizadas na zona do Intermarché.
O marido, Fernando Cunha, admite que em causa poderá estar um problema ao nível dos esgotos, até porque o piso em questão está localizado abaixo da quota.
No entanto não deixa de referir que, numa outra vez em que o esgoto também lhe invadiu a casa, o próprio retirou postas de peixe de dentro de uma das caixas de esgoto que serve o loteamento. E não deixa de observar que, no tempo da anterior gerência do Intermarché, nunca ocorreram situações semelhantes.
“Se a responsabilidade fosse minha, eu assumia”
A par da situação, desde que a mesma ocorreu a meio da manhã, o gerente do Intermarché garante não ter nada a ver com o sucedido, pelo que recusa que lhe sejam imputadas quaisquer culpas.
“Se a responsabilidade fosse minha, eu assumia”, afirmou Paulo Doroteia ao correiodabeiraserra.com, garantindo que os próprios técnicos do município lhe disseram que o problema que existe é apenas entre a Câmara e o casal proprietário da habitação.
O empresário não aceita, porém, que Edite e Fernando Cunha estejam a “manchar” o nome do Intermarché. “Eles (casal) estão com um problema no esgoto e estão a usar o Intermarché como bode expiatório para o resolverem”, continuou Paulo Doroteia, garantindo que a superfície Comercial que dirige tem “tudo como manda a lei” e da parte dos funcionários “não há práticas negligentes”.
“Não tenho sítio nenhum por onde passem postas de peixe ou outros resíduos”, certificou.
Câmara vai reunir com Intermarché
Contactada pelo correiodabeiraserra.com, a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital explicou que a invasão do esgoto ocorrida esta manhã na habitação de Edite e Fernando Cunha é consequência direta do entupimento ocorrido no coletor de esgoto.
Ainda que tenha desvalorizado o episódio, por verificar que casos semelhantes também ocorreram em outros pontos do concelho – deu o exemplo de Meruge – Francisco Rodrigues garantiu que o município já resolveu o problema, tendo até assegurado o serviço de limpeza na habitação.
À margem desta questão não fica contudo o Intermarché, onde – como confirmou – têm ocorrido frequentes entupimentos no sistema de saneamento. Razão pela qual foi calendarizada uma reunião, para a próxima segunda-feira, entre o município e a gerência da superfície comercial com o objetivo de aferir do funcionamento da atual drenagem de águas residuais.
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