3. Se dúvidas existem sobre este facto, veja-se por exemplo o teor do artigo de Carlos Teixeira da Rocha, publicado no jornal Folha do Cento, e onde aquele histórico do PSD afirma que “sendo hoje claro que, maioritariamente, os verdadeiros PSD ´s apoiaram a lista A, muitos sabem agora que foram derrotados dentro do seu PSD por pessoas que vieram da área do PS”. O que Carlos Rocha – o pai do candidato vencido não diz –, é que, se tal fosse possível, a lista derrotada até a Marte era capaz de ir angariar militantes.
4. Cinco dias depois de José Carlos Mendes ter vencido as eleições e de se ter auto-proclamado como candidato do partido à Câmara, Luís Filipe Menezes deitou a toalha ao chão. Começou de imediato o ambiente de conspiração e o PSD derrotado passou então a ver uma luz ao fundo do túnel. Dito de outro modo e na primeira pessoa do plural: “Temos quase todos os presidentes de junta connosco, vamos apoiar a Manuela Ferreira Leite e convencê-la de que em equipa que ganha não se mexe!”
5. É óbvio que a demissão de Menezes poderá ter muitos efeitos colaterais no seio do PSD, uma vez que as garantias que a comissão política nacional terá dado a José Carlos Mendes no sentido de ser a lista vencedora a liderar o processo da escolha do candidato à Câmara, podem agora cair por terra. Ou seja: a futura liderança do PSD nacional – eventualmente apoiada pela estrutura distrital –, pode vir a terreno defender a tese de que não vai tirar o tapete a um autarca que venceu as duas últimas eleições autárquicas por maioria absoluta.
6. Num cenário desses – estou em crer que o país ainda vai a banhos sem que este processo esteja minimamente clarificado –, José Carlos Mendes perde na secretaria, mas fica com uma base de apoio capaz de o encorajar a bater com a porta e a avançar para uma candidatura independente.
7. Paradoxalmente, ficamos então com um PSD em que o principal inimigo público deixa de ser o PS para, curiosamente, passar a ser o próprio PSD. Com o partido a combater-se a si próprio e tendo em conta que Mário Alves foge da adversidade como o Diabo da Cruz, só creio que o actual presidente da Câmara se arrisque a ir a votos se o PS aparecer no terreno como o Benfica vem aparecendo nos relvados.
Henrique Barreto
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