Não durmo.
Tou só e vazio.
É quase uma da manhã.
Não me apetece ir deitar.
Nem me apetece não me ir deitar.
Tou “nim”, nem não, nem sim.
Sinto-me, sem me sentir.
Quero dormir.
Talvez sonhar.
Sonhar um sonho, a sério,
daqueles que nos levam a voar
como se fôssemos vento
sobre o mar que não vemos
mas sentimos murmurar.
Um mar feito de nós próprios
como se fôssemos nós, o mar.
E navegar.
Navegar por sobre a névoa,
por sobre a mágoa
em não sentir…não ver…não tocar.
Nossos corpos andam mudos.
Cegos um do outro.
Passam perto, muito perto.
Mas sem se tocar…
Porra de vida ! Vida da porra!
Tou vazio !
E todavia.
Sinto (me) apelos…
Tou
na antecâmara da depressão
Ou da masturbação…
Reajo…
Viro-me pra mim
Arregimento a “irmã da canhota”.
Minha verdadeiramente fiel companheira…
Entrego-lhe, em mão,
o meu “velho” companheiro…
E a dança começa
e se apressa
Sim, não há nada que substitua
Este ritual !
Na punheta
damos-lhe a “gradação” que se quer:
Ou mais depressa…
Ou mais devagar…
Ou mais apertado…
Ou mais solto…
Anda companheiro.
Puxa por ti !
E dá-me esse prazer
Que há meio século
Já foi o (meu) primeiro !
2013
Autor: Durão Veraprimo
