Insónias. Autor: Durão Veraprimo

Não durmo.

Tou só e vazio.

 

É quase uma da manhã.

Não me apetece ir deitar.

Nem me apetece não me ir deitar.

 

Tou “nim”, nem não, nem sim.

Sinto-me, sem me sentir.

Quero dormir.

 

Talvez sonhar.

Sonhar um sonho, a sério,

daqueles que nos levam a voar

como se fôssemos vento

sobre o mar que não vemos

mas sentimos murmurar.

Um mar feito de nós próprios

como se fôssemos nós, o mar.

 

E navegar.

Navegar por sobre a névoa,

por sobre a mágoa

em não sentir…não ver…não tocar.

 

Nossos corpos andam mudos.

Cegos um do outro.

Passam perto, muito perto.

Mas sem se tocar…

 

Porra de vida !   Vida da porra!

 

Tou vazio !

E todavia.

Sinto (me) apelos…

 

Tou

na antecâmara da depressão

Ou da masturbação…

 

Reajo…

 

Viro-me pra mim

 

Arregimento a “irmã da canhota”.

Minha verdadeiramente fiel companheira…

Entrego-lhe, em mão,

o meu “velho” companheiro…

 

E a dança começa

e se apressa

 

Sim, não há nada que substitua

Este ritual !

 

Na punheta

damos-lhe a “gradação” que se quer:

Ou mais depressa…

Ou mais devagar…

Ou mais apertado…

Ou mais solto…

 

Anda companheiro.

Puxa por ti !

E dá-me esse prazer

Que há meio século

Já foi o (meu) primeiro !

 

2013

Autor: Durão Veraprimo 

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