O salão nobre da câmara municipal foi ontem o palco escolhido por um grupo de pais de crianças que frequentam o “Kikas” – uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) de Oliveira do Hospital – para lançar um derradeiro apelo ao executivo camarário, no sentido de se conseguir evitar o encerramento daquela IPSS.
Com 90 crianças – 81 estão distribuídas pelas valências da IPSS nas áreas de creche, infantário e versário, e nove frequentam o primeiro ciclo de ensino básico em regime particular – o “Kikas” está a atravessar um período financeiro de grande turbulência, e as receitas já não são suficientes para cobrir as despesas.
A continuar assim, aquela instituição – garantem os pais – tem os dias contados. O problema é que, conforme referiu ontem na reunião pública do executivo camarário a mãe de uma criança, se o “Kikas” encerrar a situação torna-se complicada.
“O nosso problema está em 81 crianças – trinta e tal estão na parte da creche – e não sabemos onde colocar os nossos filhos”, afirmou Ornélia Ribeiro.
Perante este cenário, e sublinhando que aquela IPSS tem dado provas em matéria de ação social, nomeadamente ao nível do apoio à primeira infância e a crianças carenciadas, os pais dos alunos do “Kikas” estão a tentar sensibilizar o executivo camarário no sentido de que o município oliveirense possa intervir financeiramente na instituição por via da atribuição de um subsídio.
Mostrando-se “sensibilizado e disponível para ajudar a resolver o problema”, o presidente da câmara defendeu que era importante que a autarquia oliveirense tivesse acesso a um estudo detalhado sobre a situação financeira daquela IPSS, com vista a perceber-se “a viabilidade financeira” da instituição, mas deixou um aviso: “Eu estou em minoria, não basta a minha vontade”, sublinhou José Carlos Alexandrino.
No seio da oposição, o vereador Mário Alves escusou-se a falar sobre o assunto na presença do grupo de pais que se deslocou àquela reunião, mas instantes depois frisou que “nunca a câmara municipal deu financiamentos para funcionamento de instituições”.
Para o antigo presidente da câmara “o risco de falência é iminente” e “não é uma injeção de capital que resolve o problema”. “É atirar dinheiro para um buraco sem fundo”, disse aquele vereador.
Alves salientou também que as crianças que frequentam aquela IPSS podem ser deslocadas para as creches de Travanca de Lagos e Lagares da Beira, uma vez que – conforme frisou – “não estão totalmente lotadas”.
De resto, o autarca da oposição argumentou ainda que o “Kikas” ”só tem duas soluções: ou aumenta as prestações aos pais ou fecha as portas”. Numa toada mais polémica, Alves chegou mesmo a considerar que “esta IPSS foi gerada politicamente, para já à data, se tapar o buraco enorme que existia naquela instituição”, ainda enquanto entidade privada.
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