O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) espera que o novo Presidente da República assuma o compromisso de ouvir os lesados e de obrigar o Estado a compensar, dentro do possível, todos os que ficaram para trás e foram esquecidos.
Passados 102 meses sobre os incêndios de Outubro de 2017, a associação insiste que persistem injustiças e que os lesados continuam sem respostas equivalentes às dadas noutros acontecimentos, onde, segundo sustenta, houve tempo, financiamento e mecanismos de apoio.
Na leitura do MAAVIM, o contraste torna-se mais evidente no caso de 15 de Outubro de 2017, que classifica como o maior desastre desde o terramoto de Lisboa de 1755, e que, afirma, não teve correspondência na resposta pública nem no tratamento dado às vítimas.
A ausência de um memorial nos territórios afectados é apontada como um sinal desse afastamento, sendo contraposta ao investimento de cerca de dois milhões de euros num equipamento em Pedrógão Grande, que, segundo a associação, permanece desconhecido para muitos dos lesados de Outubro.
O movimento critica ainda a utilização de recursos públicos, referindo gastos em estudos e relatórios sobre uma realidade já conhecida, enquanto, sustenta, quem combate e previne incêndios continua sem os meios necessários.
Na mesma linha, denuncia a existência de apoios que não terão sido executados e situações em que, segundo afirma, foram reconstruídas casas que não existiam, apontando falhas na actuação da justiça e ausência de salvaguarda dos lesados.
O MAAVIM acusa também os sucessivos governos de se terem afastado das responsabilidades assumidas, sublinhando que os lesados dos incêndios de Outubro de 2017 não foram ouvidos na comissão de inquérito criada para apurar falhas na resposta.
Apesar de reconhecer que houve melhorias ao longo dos anos, que atribui à pressão de associações de lesados, a organização considera que os problemas centrais continuam por resolver.
A exigência de tratamento igual e o cumprimento das promessas feitas mantêm-se, nove anos depois, como reivindicação de quem, segundo o MAAVIM, continua à espera de resposta.
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