Correio da Beira Serra

MAAVIM: “Os incêndios combatem-se… com ocupação territorial e não com abandono”

O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) considera que a Carta de Perigosidade dos Incêndios Rurais, que poderá entrar em vigor a 31 de Março, vai levar as populações rurais a abandonar o território do interior e a deslocarem-se para os meios urbanos. Ao fim de quase 66 meses após a tragédia de Outubro de 2017, os elementos do MAAVIM continuam a criticar o esquecimento a que as vítimas foram votadas e as medidas que o Governo vai tomando e que, no entender do movimento, só vão levar a mais desertificação e incêndios no interior.

“Isso é exactamente o contrário da luta contra a desertificação, contra os incêndios florestais, contra o abandono da agricultura. Os incêndios combatem-se com apoios a quem está no território, com a ocupação territorial e não com o abandono dos territórios de baixa densidade”, refere um comunicado da MAAVIM que deixa muitas críticas à ministra da Agricultura.

“Veio ao terreno e falou em apoios, mas continua a não trazer a lista das ajudas pagas aos lesados nos incêndios de Outubro de 2017 e a lista dos milhares de portugueses que tudo perderam e nada receberam”, acusa, salientando que o Governo tem andado preocupado com a habitação no país, em especial nos grandes centros urbanos, mas “é o mesmo Governo”, escrevem, que “esqueceu as centenas de famílias que ficaram sem a sua habitação em Outubro de 2017”.

A missiva recorda que estamos a entrar no 66º mês após a tragédia de Outubro de 2017 e lamentam que só tenham a registar que “mais um mês passou” e “já poucos querem saber se as famílias têm casa, se as populações têm comida ou se têm serviços”. E o comunicado, assinado pelo porta-voz do movimento, Nuno Tavares Pereira, termina com aquilo que já se transformou num slogan do MAAVIM: “Quem tinha, não tem e quem não tinha, tem. Continuamos sem ter culpados. Nós não somos culpados, somos vítimas”.

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