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O regresso da pesca desportiva, a técnica e uma pista de referência em Celorico da Beira

Falta algum tempo para o início da prova de pesca desportiva na pista da Ratoeira, concelho de Celorico da Beira, no rio Mondego. A azafama é grande. Os participantes, vindos de várias partes do país e até de Espanha, espalhados ao longo de muitos metros rio acima, preparam religiosamente todo o material para no decorrer não perderem tempo a trocar de artefactos. Quando tudo está organizado, vem um momento de descanso. Aguardam o intervalo em que é possível iniciar o engodo para atrair o peixe para a sua de pesca. São cinco minutos antes de surgir o sinal de início da competição. “Agora é aguardar”, conta-nos Mauro Fonseca, 40 anos, que veio de Penacova e é um dos pescadores mais experientes nesta competição. Disputa a I Divisão, já participou no campeonato do mundo e não podia deixar de participar nesta Golden Cup – Rui Gomes, que juntou 49 pescadores desportivos.

“Esta é uma pista fantástica. Tem muito peixe e exige uma pesca técnica. A pesca das bogas é assim. Quanto mais pequeno é o peixe mais favorece os tecnicistas”, explica este pescador de Penacova, sublinhando que só tem um reparo a fazer à estrutura. “Este espaço poderia receber provas da I Divisão de Pesca Desportiva ou mesmo provas internacionais. Mas precisa de uma intervenção: um desassoreamento, porque há partes em que a profundidade é tão reduzida que dificilmente se consegue pescar”, explica, frisando que ainda assim existem poucas pistas com esta qualidade.

A pesca, ao contrário daquilo que se possa pensar não é um desporto de baixo custo. Mauro, a título de exemplo, mostra-nos uma imponente cana de 13 metros. “Duas custaram quatro mil euros e o meu material está avaliado em cerca de 12 mil euros”, atira, recordando a cana da índia que utilizava quando era pequeno e com a qual começou a dar os primeiros passos nesta arte na companhia do avô. “Não tem nada a ver, mas foi a partir daí que ganhei o gosto e nunca mais parei, acabando por me federar 2011. “Mas o prazer da pesca nem é tanto a competição, é mais a tranquilidade, sentir o silêncio e a comunhão com a natureza e sentir a adrenalina quando a bóia vai ao fundo e sentir o peixe”, sublinha. Peixe que despois é devolvido à água. A pesca desportiva é assim. “Amiga da natureza”.

A “longa e injusta” paragem devido à pandemia…

Um pouco mais à frente, o espanhol Sito Pardo também aguarda pacientemente o início da prova. Ele que, ao contrário de Mauro Fonseca, o que mais aprecia na pesca desportiva é mesmo a competição. E agrada-lhe particularmente esta pista de Celorico da Beira. “É muito técnica. É das melhores que conheço para a pesca à boga, um tipo de pesca que é só para os melhores”, conta este atleta, de 31 anos, que deu os primeiros passos nesta arte aos oito anos pela mão de um tio. “Comecei a gostar e agora estou aqui”, frisa, ele que já venceu por duas vezes o troféu Mérida Masters, uma das provas não oficiais mais significativas de Espanha. “Para o ano voltarei a esta pista fantástica”, conclui.

A pandemia da COVID-19 obrigou à paragem das provas de pesca desportiva durante muitos meses e foi, segundo estes atletas, uma injustiça. Garantem que este é um dos desportos mais seguros, desde que se tenha o mínimo de cuidado. “Esta é uma actividade praticada ao ar livre, em que cada pescador está separado do outro por mais de dois metros. Se no início, quando havia um grande desconhecimento sobre a doença, fazia sentido, depois deixou de existir qualquer razão para se manter esta restrição”, conta. Um sentimento partilhado pelos colegas. “Este é seguramente dos desportos mais seguros e foi um enorme atropelo aquilo que nos fizeram”, concorda Mauro Fonseca.

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