Das 10 analisadas, apenas a autarquia de Montemor-o-Velho mantém dois vídeos alojados no Youtube e linkados no seu site oficial. O município de Penela mantém um vídeo alojado no seu próprio servidor. O coordenador do estudo, Manuel Alves Dinis, fala de “um desinteresse bem patente” pelos oito municípios relativamente “ao mais poderoso canal de vídeos da web”, pelo facto de “ignorarem totalmente o recurso aos vídeos, apostando apenas nas fotografias”. Recorde-se que, inclusivamente, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital já se chegou a insurgir, em plena reunião pública do executivo, contra uma gravação em vídeo que estava a ser feita pela jornalista do Correio da Beira Serra que, na ocasião, acompanhava os trabalhos do executivo liderado por Mário Alves. Refira-se que este jornal tem o seu próprio canal – correiodabeiraserra – alojado no Youtube, com links para a secção de vídeos deste diário online.
No estudo, o director da licenciatura em Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga realçou ainda que “a par das páginas oficiais dos municípios, das regiões de turismo e de outras páginas individuais, o YouTube funciona hoje, para milhões de turistas de todo o mundo, como o rosto de uma determinada freguesia, concelho ou região”.
Note-se que no que respeita à totalidade de vídeos publicados no YouTube, os 10 concelhos somam apenas 1.043 vídeos publicados. Condeixa-a-Nova e Oliveira do Hospital lideram a tabela com 169 vídeos cada, seguidos de Arganil e Pampilhosa da Serra, ambos com 122 vídeos. O quinto lugar pertence a Montemor-o-Velho, com 94 vídeos. Seguem-se Penacova e Penela (80 vídeos cada), com os últimos lugares ocupados por Vila Nova de Poiares (72), Miranda do Corvo (68) e Góis (67).
“Qualquer autarquia tem possibilidade de criar um pequeno departamento audiovisual”
Na análise global dos 10 concelhos, o estudo revela que o desporto domina com 503 vídeos (48,2 por cento), seguindo-se a música/dança, com 242 trabalhos (23,2%). Durante o período estudado (de 21 a 25 de Maio) o turismo surge em terceiro lugar, com 107 vídeos (10,3%).
Nas conclusões ao inquérito, o investigador Dinis Alves revela-se discordante de certos vídeos alojados no Youtube, considerando como “natural que um turista risque das suas opções um concelho que tenha, como vídeo mais visto, uma perigosíssima viagem de mota pela auto-estrada que o turista vai utilizar”. O docente refere-se a um trabalho com a duração de oito minutos e 15 segundos, o tempo exacto que um motard demorou a percorrer o troço da A1 Condeixa-Mealhada, levando a moto aos 277 KM/hora e efectuando várias manobras perigosas. “O mesmo vale para uma longa série de outros vídeos que divulgam bebedeiras, carros evoluindo perigosamente pelas rotundas de uma cidade, vómitos, chorrilhos de asneiras e um sem-número de outros casos de vídeo-lixo”, nota Dinis Manuel Alves, defendendo que “este género de vídeos não representa, naturalmente, o pulsar económico, a vida cultural, o património arquitectónico e paisagístico desses concelhos”. “Se as autoridades locais não desencadearem acções tendentes a limitar os danos resultantes da colocação destes vídeos, são eles que ganham o direito de cidade no YouTube, passando a valer como a imagem de cada concelho na rede”, adverte.
No estudo que vai ser remetido aos presidentes das câmaras dos concelhos envolvidos e outras entidades com pedido de reunião, o docente de Comunicação Social lembra que “na era dos self-media, a produção de vídeos deixou de ter os custos exorbitantes de há uma década atrás. Qualquer autarquia tem possibilidade de criar um pequeno departamento audiovisual, porventura dando trabalho a muitos jovens licenciados nesta área”.
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