A quinta edição da recriação histórica e teatral “O Enforcado” realizou-se, ontem, no Largo da Igreja, em Forno Telheiro, no concelho de Celorico da Beira, mas a situação de alerta decretada pelo Governo devido à onda de calor obrigou a organização a alterar o final da representação. As restrições em vigor, que proibiam o acesso e a circulação no interior de espaços florestais, impediram a deslocação até à antiga Forca, situada numa zona de pinhal, levando à absolvição, à última hora, do condenado.
A Forca (estrutura em granito destinada, em tempos, à execução dos réus condenados à pena máxima) e o Pelourinho são os testemunhos mais visíveis desse passado. Para o historiador Daniel Martins, da Associação Hereditas, estes elementos ajudam a compreender a relação antiga da localidade com a justiça e com a autonomia local. “O facto de ter Pelourinho queria dizer que quem mandava ali era o rei, era a Lei Régia”, explicou.
Para Daniel Martins, a permanência da Forca dá a Forno Telheiro uma singularidade patrimonial hoje rara, precisamente porque já não é comum encontrar, no mesmo lugar, Pelourinho e Forca preservados. “Este elemento foi desaparecendo nas terras que tinham Pelourinho. Aqui, preservam-se tanto o Pelourinho como a Forca”, afirmou.
