A quinta edição da recriação histórica e teatral “O Enforcado” realizou-se, ontem, no Largo da Igreja, em Forno Telheiro, no concelho de Celorico da Beira, mas a situação de alerta decretada pelo Governo devido à onda de calor obrigou a organização a alterar o final da representação. As restrições em vigor, que proibiam o acesso e a circulação no interior de espaços florestais, impediram a deslocação até à antiga Forca, situada numa zona de pinhal, levando à absolvição, à última hora, do condenado.
A recriação, que contou com a colaboração da Associação Hereditas, dedicada à investigação e divulgação do património, envolveu cerca de 15 populares de Forno Telheiro e apresenta uma história fictícia que procura respeitar a antiga condição de vila, cruzando elementos recolhidos em arquivo com a memória local.
A Forca (estrutura em granito destinada, em tempos, à execução dos réus condenados à pena máxima) e o Pelourinho são os testemunhos mais visíveis desse passado. Para o historiador Daniel Martins, da Associação Hereditas, estes elementos ajudam a compreender a relação antiga da localidade com a justiça e com a autonomia local. “O facto de ter Pelourinho queria dizer que quem mandava ali era o rei, era a Lei Régia”, explicou.
Para Daniel Martins, a permanência da Forca dá a Forno Telheiro uma singularidade patrimonial hoje rara, precisamente porque já não é comum encontrar, no mesmo lugar, Pelourinho e Forca preservados. “Este elemento foi desaparecendo nas terras que tinham Pelourinho. Aqui, preservam-se tanto o Pelourinho como a Forca”, afirmou.
É também por isso que o historiador vê nestas recriações mais do que uma encenação. A peça permite “ir à procura do património que se está a perder”, cruzando o trabalho de arquivo com memórias que, muitas vezes, só sobrevivem no conhecimento transmitido pelos habitantes.
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