Já somos o 4.º país mais desigual da União Europeia
Título de artigo do JN de 17.10.2024
O artigo acima referido é bem elucidativo e merece uma evidente reflexão.
Transcrevo este parágrafo:
“A pobreza anda de mãos dadas com a desigualdade. No ano passado, continuou a aumentar o número de crianças em risco de pobreza ou exclusão social. Os pobres ficaram mais pobres. E a desigualdade na distribuição de rendimentos agravou-se em 1,7 pontos percentuais (pp), fazendo com que Portugal subisse um lugar no “ranking” de países da União Europeia (UE) mais desiguais, para ocupar, agora, a quarta posição. Pior, só a Bulgária, a Lituânia e a Letónia.”
Será possível não se sentir uma comichão, uma revolta, uma mágoa dentro das nossas almas, das nossas consciências por esta realidade?
Se a desigualdade se acentuou no nosso País deve-se à insuficiente criação de riqueza, à ineficiente capacidade de a distribuir ou a ambas!
Precisamos de encontrar a causa, pois o efeito é bem revelado no artigo em referência.
Será a causa devida à boa fé, ao sacrifício, à luta por melhores condições de vida dos nossos trabalhadores e empresários?
Será culpa dos bancos, das multinacionais, do populismo ou dos partidos de esquerda ou de extrema direita?
Em que medida terá o nosso Concelho contribuído para esta desigualdade nacional?
O desenvolvimento do nosso Concelho contribuiu definitivamente para esta desigualdade nacional, pois, os nossos autarcas não souberam criar as condições para o incremento da riqueza que permitisse uma maior e melhor distribuição!
A causa, para mim, de nos encontrarmos numa situação de declínio social/económico no Concelho, deve-se à opção política de não se terem apoiado as indústrias, pois sem elas não há desenvolvimento humano nem prosperidade para se poder ter uma justa distribuição.
E refiro-me, em particular, à indústria de confecções, verdadeiro património Cultural do nosso Concelho, tão esquecida pelos sucessivos Presidentes de Câmara, mas sempre presentes nos “funerais” das fábricas, expressando gestos de pesarosa solidariedade e louváveis propósitos de solução.
Também instituições como a Eptoliva e os próprios partidos políticos estiveram sempre ausentes na procura de iniciativas e soluções que defendessem e valorizassem este verdadeiro património cultural do Concelho que, atrevo-me a afirmar, tem ainda nos dias de hoje grandes e justificadas possibilidades de crescimento.
Também me interrogo, como cidadão e empresário, sobre se não poderia ter dado um melhor contributo ao meu Concelho. Estou seguro de ter ficado aquém do que deveria.
Espero poder justificar, em próximos artigos, a minha acusação ao Poder político de manifesta falta de estratégia económica.
Com excepção do Dr. António Saraiva que deixou uma importante obra “invisível” e do Dr. César de Oliveira que ousou “abanar” o Concelho, entendo que os restantes, por falta de tempo ou talento, não puderam ou não souberam, dinamizar e promover a criação de riqueza no Concelho.
Viveram numa intensa lufa a lufa de corridas entre inaugurações, festas, feiras, televisão, muitos convívios sócio/políticos a que não se podiam furtar, por interesses partidários.
O tempo ocupado para confraternizações faltou para a gestão estratégica do Concelho. A caça ao voto era prioritária aos interesses do concelho!
Que não se entenda neste desabafo falta de respeito e até de algum agradecimento pela voluntariedade e sacrifícios pessoais disponibilizadas pelos nossos políticos e dirigentes autárquicos.
Mas entenda-se também que a responsabilidade e a culpa não
podem morrer solteiras.
Por agora deixo aqui, como primeira reflexão, alguns dados
económicos e sociais explicando o retrocesso do Concelho, só relativos aos últimos cinco anos.
2017 2022
pessoal ao serviço de empresas 5,667 5,886
pessoal ao serviço de empresas
transformadoras 1,777 579
volume de negócios totais 318,680 388,788
volume de negócios empresas
transformadoras 95,680 94,889
número empresas transformadoras 179 161
número de empresas 1,871 2,006
volume de exportações ( 10³ euros) 49,743 39,042
volume de – Importações (10³ euros ) 22,922 21,155
crédito à habitação por habitante 4,313 3,980
licenciamento para construção 61 61
médicos por 1000 habitantes 1,7 1,9
índice de dependência 61,1 66,3
rácios divórcios/casamentos 58,3 113,9
Haja, pois, discernimento nos nossos julgamentos e decisões.
Oliveira do hospital Outubro, 2024
Autor: Carlos Brito*
*Fundador da empresa Davion em Oliveira do Hospital
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